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Presa desde o dia 4 de julho, suspeita de participação na morte do marido, o cardiologista Denirson Paes, a farmacêutica Jussara Paes prestou o primeiro depoimento à policia. O depoimento foi prestado na Colônia Penal Feminina do Recife para a delegada Carmem Lúcia.
A suspeita afirmou que não sabe quem matou o marido, e que acredita que colocaram o corpo na cacimba para incriminá-la. Perguntada se mandou lavar o quiosque perto da piscina, onde foram encontrados vestígios de sangue, ela disse que, como estava se aproximando a chegada de Denison, queria deixar o local limpo.
Sobre o filho, Danilo Paes, também suspeito de envolvimento no crime, Jussara disse que ele passa por um processo de fobia e síndrome do pânico, e que passou a tomar remédio controlado, após a suposta viagem do pai. Ao ser perguntada se iria se separar do médico, a farmacêutica negou. Disse que eles discutiam no momento de fazer a feira, porque ele controlava o dinheiro e em raríssimos momentos lhe dava o cartão.
Sobre o dia do desaparecimento do médico, ela ressalta que Denirson teria dito que iria andando até o apartamento que a família tinha em Aldeia, e que de lá iria viajar. A mulher afirmou que não saiu de casa nesse dia, e que os dois filhos do casal passaram todo o dia também na residência. O depoimento é assinado pela farmacêutica na presença de uma defensora pública.
Advogado
Por telefone, o advogado de Jussara Paes, Alexandre Oliveira, disse que esse depoimento foi prestado sem a presença dele, em uma manobra da polícia para tentar incriminar a farmacêutica. O advogado não informou quais os próximos passos da defesa no caso.
Habeas Corpus
Na quinta-feira (12), a justiça negou o pedido de habeas corpus feitos pelo advogado da mulher de Denirson, Jussara Paes, e do filho mais velho do casal, Danilo Paes, os principais suspeitos pelo assassinato e pela ocultação do cadáver do médico. Eles estão presos preventivamente desde o dia 04 de julho, quando o corpo foi localizado pela polícia. O advogado deles sugeria que a dupla cumprisse prisão domiciliar em outra casa da família, em Aldeia, até uma nova decisão da justiça.
DNA
A Polícia Civil de Pernambuco confirmou, através de exame de DNA, que os restos mortais encontrados no condomínio residencial Torquato Castro, no km 12 de Aldeia, em Camaragibe, no Grande Recife, eram do médico e advogado Denirson Paes da Silva, de 54 anos. O resultado foi divulgado à imprensa na tarde dessa terça-feira (10). O médico estava desaparecido há cerca de um mês. O cadáver de Denirson foi achado, na última quarta-feira (4), esquartejado, com sinais de carbonização e em estado avançado de decomposição. Os restos mortais estavam dentro de um poço com cerca de 25 metros de profundidade, localizado ao lado de sua residência.
As autoridades afirmaram ainda que corpo estava coberto por camadas de areia, materiais de limpeza, como cloro, e tijolos. Os produtos teriam sido depositados no local na tentativa de ocultar o odor de decomposição do cadáver.
A Polícia Civil reafirmou, inclusive, que existem fortes indícios de que o crime tenha sido premeditado. A esposa da vítima, Jussara Rodrigues Silva Paes, 54, e o filho mais velho do casal Danilo Rodrigues Paes, 23, são os principais suspeitos do crime, mas as autoridades não descartam a participação de outras pessoas no assassinato do médico. Os dois estão presos temporariamente, acusados de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O filho mais novo do casal, de 20 anos, não é apontado nas investigações como participante do crime.
Vestígios de sangue
Perícias realizadas na casa da vítima identificaram sinais de sangue em dois banheiros e em um corredor. Foi no banheiro social que os peritos encontraram mais marcas de sangue. No corredor, que fica entre o banheiro e a cacimba onde foram identificados os restos mortais já em avançado estado de decomposição, existe sinal de arrastamento. Em outro banheiro, mais utilizado pelo filho mais velho do casal, também foram detectadas marcas de sangue.
Relembre o caso
O corpo de Denirson Paes da Silva foi encontrado no fundo de um poço que pertence à casa onde morava com a família no dia 4 de julho. Os investigadores chegaram à residência do médico depois que a própria esposa prestou queixa, no dia 20 de junho, do desaparecimento do marido. No boletim de ocorrência a mulher alegava que a última informação sobre o paradeiro do marido era de que ele havia embarcado numa viagem internacional no começo do mês e desde então não havia entrado em contato com a família. Entretanto, durante as investigações, a Polícia Civil identificou que o cardiologista estava desaparecido desde o dia 31 de maio e que a viagem citada havia sido desmarcada pela própria vítima. O enterro dos restos mortais do médico ainda está sem data marcada por causa da necessidade de haver mais detalhes da ocorrência.
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