Publicada em 21/07/2018 às 11h25.
O peso do Agreste para as eleições pernambucanas
Dos 71 prefeitos, 55 podem apoiar Paulo Câmara, mas aliados de Armando acreditam que números vão mudar em agosto

 

 

Três pontos se destacam na fotografia eleitoral do Agreste pernambucano neste momento, faltando menos de um mês para o início da campanha. Na região onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula nasceu, os candidatos ao governo do estado pisam em areia movediça (os apoios que eles recebem dos prefeitos podem mudar a qualquer momento), os eleitores ainda estão desanimados com a política e será mais difícil levá-los às urnas. A avaliação foi feita por grande parte das lideranças ouvidas pela reportagem na segunda maior região eleitoral de Pernambuco. O diferencial pode ser o próprio Lula, caso ele seja realmente candidato. O Agreste tem 71 municípios, 1.692.811 eleitores, o que corresponde a 25,30% dos votantes do estado.    

Treze prefeitos da região (18,30% do total) ajudaram o Diario de Pernambuco a construir o retrato da localidade nesse primeiro momento. Todos são lideranças ligadas ao PSB, ao PT e ao PTB, que pretendem lançar postulantes ao Palácio das Princesas: o governador Paulo Câmara, a vereadora Marília Arraes (PT) e o senador Armando Monteiro Neto (PTB). Os gestores municipais que falaram sobre o cenário eleitoral do Agreste foram os de Garanhuns e Caetés, Águas Belas, Cachoeirinha, Cupira, Jataúba, Jupi, Lagoa dos Gatos, Pesqueira, Saloá, Tacaimbó, Toritama e Limoeiro.

Pelas observações que fizeram, 55 prefeitos podem apoiar Paulo Câmara, 13 estão com Armando Monteiro, um com Marília Arraes, e dois aguardam uma definição mais clara do cenário político. Dos dez municípios mais populosos da região, os prefeitos dos cinco primeiros citados a seguir estão com Armando: Caruaru, Garanhuns, Santa Cruz do Capibaribe, Gravatá e Belo Jardim. Os outros cinco estão com o PSB: Pesqueira, Surubim, Bezerros, São Bento do Una, Buíque. (Veja no quadro acima, município por município, ou nos quadros abaixo) 

Um observador, inclusive, fez a ponderação que a situação ainda é frágil, porque, em agosto, haverá muitas mudanças favoráveis à oposição, com dissidências e mudanças de lado. Marília Arraes ainda não foi confirmada como candidata pelo PT, ela é vista como %u201Cmuito forte no Agreste%u201D por lideranças ligadas a Paulo Câmara e a Armando.  

Por outro lado, mais da metade dos prefeitos avaliou que, na região onde Lula nasceu, o eleitor está decepcionado com a política diante de tantas denúncias que misturam o joio e o trigo. Eles acreditam que o índice de abstenção será alto na eleição, porque sentem que a população está mais crítica, insatisfeita e intolerante. É um cenário, por incrível que pareça, mais áspero do que se percebe no Sertão estadual, onde a autoestima está mais alta e a política vem sendo discutida 24 horas. %u201CInfelizmente as lideranças do Sertão são mais presentes e mais fortes%u201D, desabafou um prefeito, pedindo reserva no nome. 

Segundo a prefeita de Pesqueira, Maria José (PRP), devido à crise política e econômica do país, %u201Ca %u201Cpopulação está revoltada%u201D. %u201CMuita gente está descrente, porque vê tanta coisa acontecendo. Temos políticos sérios, prefeitos sérios, mas a situação ficou difícil. Mas eu vou trabalhar na eleição e cumprir o meu papel, mostrar o benefício da política, porque se ficarmos pacatos e parados, como vamos ajudar a administrar nosso país? Todos os prefeitos têm que cumprir o seu papel%u201D, declarou.  

O prefeito de Garanhuns, Izaías Régis, acredita que, em 2014, houve uma comoção muito grande com a morte do ex-governador Eduardo Campos (PSB) que encobriu os debates políticos no estado. %u201CEsse ano, isso não acontecerá. Vamos mostrar que eles prometeram e não cumpriram os projetos. As oposições têm tudo para ganhar as eleições no Agreste. Ele (Paulo Câmara) fala o tempo todo em crise. A crise mostra se homem público tem ou não competência, se sabe ou não administrar. Teve uma época, não me lembro bem a data, instalavam poste na zona rural dizendo que ia ter iluminação. Depois da eleição, vieram e levaram os postes. O governo de Paulo Câmara fez isso%u201D, declarou Izaías.

 

Agreste Central Fonte: Diario de Pernambuco  
Agreste Central Fonte: Diario de Pernambuco

 

 

Agreste meridional Fonte: Diario de Pernambuco  
Agreste meridional Fonte: Diario de Pernambuco

 

 

Agreste setentrional Fonte: Diario de Pernambuco  
Agreste setentrional Fonte: Diario de Pernambuco

 

 

DP
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