
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Mês de setembro, para a meteorologia, ainda marca a primavera no Brasil. Verão, verão mesmo, só no dia 21 de dezembro. Apesar disso, o calendário oficial não condiz em absolutamente nada com a tradição dos pernambucanos, que já se mandam para as praias no dia em que é comemorada a Independência do Brasil - especialmente quando a data vem seguida de um feriadão. A partir de hoje, é dada a largada para a temporada praiana com direito a mala, cuia, sal, Sol e água fresca. Chegou a época das casas de praia.
Para alguns, essa escapada da rotina é essencial para renovar as energias e perfeita para quem tem família grande. Entre os fatores que levam as pessoas a praticamente se mudarem para a praia nessa época do ano estão o conforto, a tranquilidade e a segurança. Solange Cavalcanti, de 72 anos, há 20 é dona de uma residência na Praia de Carneiros, em Tamandaré, no Litoral Sul. Para ela, vantagens não faltam em ter o seu próprio cantinho distante dos problemas da capital e mais próximo do mar.
“Sempre moramos em apartamento na Iputinga, longe da praia, mas com dois meses meus netos já estavam indo pra Tamandaré frequentar a casa. Lá sempre ficam muito à vontade, andam por todo canto, brincam... Aqui no Recife a gente não consegue dar essa liberdade, tem que deixar preso dentro de casa por conta da insegurança” comenta a dona de casa.
Arthur Moraes, de 33 anos, costumava optar por flats no verão, mas, com a chegada das duas filhas, esse ano preferiu se juntar com 12 amigos para alugar um refúgio em Muro Alto. “Vamos todos de casal, com muitas crianças, queríamos um espaço para uma farra mais infantil”, conta o empresário.
Para garantir o espaço, a procura começou com antecedência, ainda no inverno. “Quanto mais cedo, mais barato fica e mais opções você tem. Alguns conhecidos meus tentaram encontrar casas recentemente e já não conseguiram um lugar bem localizado, perto mesmo da praia”, conta Arthur. Segundo ele, o segredo é ficar atento a partir de junho/julho, período chuvoso, quando as pessoas estão com a cabeça distante do verão.
De acordo com o diretor do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Pernambuco (Sindimóveis - PE), Francisco Barros, a procura se intensifica mais a partir de agosto: “Para os feriados, muita gente procura casa a partir da primeira quinzena de agosto. No restante do semestre a busca também se intensifica bastante, principalmente em dezembro, período de férias, quando muitos ainda estão atrás de uma casa”.
Representando o outro lado desse processo, Solange Cavalcanti, que nos últimos anos passou a disponibilizar seu imóvel para ser alugado por terceiros, reforça o conselho de Arthur para começar cedo a busca por uma casa de veraneio. “A gente é procurado com meses de antecedência. Dessa vez vamos ficar lá durante o feriado do dia 7 de Setembro, então não colocamos para alugar, mas, por exemplo, ainda em agosto nós fechamos com um pessoal o aluguel da casa para eles passarem o Ano Novo”, afirma.
Quando o bolso pesa
A decisão da dona de casa de frequentar menos a casa e alugá-la veio quando a crise econômica começou a apertar o orçamento da família. Ficou difícil manter o espaço fechado quando não estava frequentando. “É caro [manter], muito caro. Tem que cuidar da piscina, tem o consumo de energia, a limpeza, etc.”
A estudante de jornalismo Ana Flávia Barros, de 20 anos, foi outra pernambucana que passou a frequentar menos as casas no litoral. Desde muito nova via sua família, natural de Palmares, na Mata Sul, alugar um local na praia para curtir o verão, começando a partir de setembro. Porém, a situação financeira se tornou um empecilho, tanto pela crise, quanto pela decisão de estudar na capital, que pesou no bolso. Além disso, os desastres naturais que castigaram sua cidade natal e também contribuíram para que a família não conseguisse manter a tradição.
“Temos outras prioridades no momento, não temos mais condições de ficar alugando casa”, relata. Com isso, para não deixar de curtir o período mais aguardado do ano, Ana Flávia agora conta com o convite de amigos e familiares que ainda mantêm casas de veraneio.
Segundo o diretor do Sindimóveis, o agravamento na crise no país causou uma diminuição notória na procura por imóveis na praia, seja para locação ou compra. Por outro lado, ele pontua que houve também uma queda de preços. “Muitos diminuíram em até 30% o valor de mercado, tanto para aluguel quanto para a compra. Conheço alguns casos nos quais essa queda foi ainda maior”, relata.
Além do dia 7 de setembro, o segundo semestre de 2018 está repleto de outros feriados em dias de semana, inclusive ‘feriadões’ perfeitos para ir à praia. Aos que desejam curtir o litoral nessa folga prolongada, a dica é ficar atento ao planejamento logo cedo, garantir um bom espaço próximo ao mar, sem imprevistos, e poder relaxar de pernas para cima, apenas curtindo o melhor que a praia tem a oferecer.




(Reprodução do Site JC)
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