
© Reprodução / Instagram
Thammy Miranda, 36, expoente da causa LGBT, diz que se fosse Anitta não aceitaria o desafio. "Ela falou que não queria se posicionar, e ela não é obrigada. Pronto e acabou. Comigo não cola esse negócio de imposição. Se me impuserem, não vou fazer. Ela já levanta a bandeira LGBT, em cima do palco. Não tem que cobrar nada dela. Cada um que cuide da sua vida. Também não preciso levantar bandeira nenhuma. É só eu levantar da cama e sair de casa. Já sou uma bandeira ambulante", afirmou a filha de Gretchen.
Luis Lobianco, 36, que está no ar na novela "Segundo Sol" (Globo) como Clóvis, usou suas redes sociais para apoiar a hashtag #EleNão. O ator afirma que está feliz em aderir à campanha e diz que a considera um movimento de mudança para o país. Para Lobianco, a democracia não é algo fácil e Bolsonaro representa uma ameaça a ela.
"O que ele propõe não está dentro de um debate democrático e quem vê isso está preocupado e quer se manifestar. E não só a classe artística, mas todas as outras. Todos têm que se envolver porque não é só a misoginia, o machismo, a homofobia, que são muito graves. O fato é ele ser uma pessoa totalmente despreparada para lidar com um país tão complexo, com problemas tão graves. Ele não tem nenhum programa de governo consistente. Isso é muito sério. Acho que a campanha continua e que a gente vai conseguir reverter isso", afirma Lobianco.
O ator, no entanto, faz uma ponderação. Diz que é preciso que os artistas sejam cuidadosos ao desafiarem os colegas de profissão, visto que opinião política é algo pessoal e que muitas pessoas não se sentem à vontade para se posicionarem publicamente.
"Tem gente que não quer se envolver, até porque às vezes não tem muito conhecimento, não se sente à vontade ou preparado para falar sobre aquilo. Não podemos cair no mesmo erro de querer combater o ódio também com uma postura ameaçadora. Os artistas que se envolvem com o público LGBT, participam da Parada, que têm um discurso muito claro voltado para a tolerância e tudo mais, acho que eles têm que se apresentar nessas horas também."
Lobianco ressalta ainda que não deve haver ódio, opressão ou intimidação, pois isso não combina com o movimento LGBT, que é de inclusão.
A cantora Joelma, 44, é um exemplo de artista que prefere se abster publicamente. "Acho que cada um tem que se expor da maneira que gosta. Estamos em um país livre. As pessoas devem fazer o que está dentro de si. Se elas se sentem bem fazendo isso, ótimo e maravilhoso. Eu nunca gostei de me meter em política. Respeito quem levanta bandeira, acho que está certo. Todos temos que nos amar."
Caetano Veloso, 76, que apoia publicamente o presidenciável Ciro Gomes (PDT), faz coro à ex-vocalista da banda Calypso. Ele diz também que não considera o desafio com a hashtag #EleNão uma forma de intimidação. "Cada um faz o que quer. Quem quiser se manifestar sobre o que quer que seja, se manifeste. Tem que ser assim. Não acho que seja patrulhamento."
A sertaneja Naiara Azevedo, 28, é objetiva quando questionada sobre a sua opinião sobre a campanha. "Eu não fui desafiada e acho que se eu fosse também não falaria nada. O voto é secreto, não é mesmo? Então o meu voto eu decido na urna."
Nego do Borel, 26, diz que o que importa é cobrar serviço dos candidatos que forem eleitos em todas as esferas. "O que eu quero é um país melhor, é um projeto para a minha comunidade, Morro do Borel. Lá está tudo muito complicado. [...] Eu sou um cara que influencia muito. Vivo na comunidade, sei a situação difícil e precária que minha comunidade vive hoje. Não é questão de posicionamento. Quero cobrar um projeto para a minha comunidade. Escolinha de futebol, por exemplo, que está precisando..."
Bolsonaro, que deixou o hospital Albert Einstein, em São Paulo, neste sábado (29), lidera a corrida presidencial. De acordo com a pesquisa Datafolha, Bolsonaro tem 28% das intenções de voto, seguido pelo petista Fernando Haddad, com 22%.
Folhapress.