Publicada em 14/10/2018 às 09h38.
Candidatas que não receberam voto não sabiam que concorriam
Lei eleitoral obriga que cada partido ou coligação lance ao menos 30% de candidaturas de cada sexo para deputado.

Imagem: Notícias ao Minuto

 

Ao todo, 24 candidatos inscritos nas eleições deste ano não receberam nenhum voto. Do total, 21 são mulheres. Três delas - Renata Dama (PMB-RR), Wandna da Silva (PRP-RR) e Mariely Sena (PTC-AP) - afirmam que sequer sabiam da candidatura.


Renata Dama disse ao 'G1' que ficou sabendo da sua candidatura por meio de uma amiga, que viu o nome dela no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


"Uma pessoa [do partido] veio até a mim perguntando se eu era filiada e eu disse que era, e essa pessoa me falou que precisava completar 'X' número do sexo feminino para completar a legenda (...) Perguntei se eu iria concorrer, e me disseram que eu não ia concorrer, que eu só ia completar a inscrição" (...) Não chegaram em mim dizendo: 'olha, você vai ser candidata", contou Renata.


Ela disse ainda que abriu uma conta corrente no banco e tirou foto, que são exigências para a candidatura, mas não sabia que estava na disputa. "A princípio, não era pra eu concorrer. Fiz a inscrição, mas não… Na realidade, fui enganada." A candidata disse que vai se desfiliar do partido.


Consultada pelo site, a presidente do PMB em Roraima, Sandra Santos, admitiu que a sigla buscou mulheres filiadas para que elas se candidatassem, mas afirmou que todas sabiam o que estava sendo feito e que não são candidatas "laranjas", lançadas para cumprir a cota feminina no partido. Ainda segundo Sandra, o PMB não financiou as campanhas, mas deu santinhos a quem solicitou.


Já Wandna da Silva, que foi cadastrada na urna como Wandna do Santa Cecília, negou candidatura a deputada estadual e afirmou que vai procurar a legenda. "Eu me filiei só ao partido. Eu não saí como candidata. Pra mim estava só como se eu tivesse filiada, por isso que votei em outra pessoa", disse ela.


O PRP em Roraima não respondeu às tentativas de contato.


A terceira candidata que falou com o 'G1', Mariely, também afirma que não sabia que concorria ao cargo de deputada estadual:


"Até no momento eu queria vir pra deputada estadual, só que eu não tive recurso para arcar com os materiais da campanha. Aí o partido ficou de me passar um dinheiro, mas eu não tive acesso, por isso que no último instante não houve material de campanha. Até você pode ver a foto, que não tem número, aí não teve como eu vir fazer campanha e conquistar votos, porque eu moro no Pracuúba e pra cá é bem distante de Macapá. Até aí foi me repassado isso, que deu problema no comprovante de residência. Só isso que posso lhe informar".


A direção do PTC no Amapá também foi procurada, mas não se pronunciou.


O maior número de candidaturas sem votos é do Amapá (6); seguido de Acre e Roraima (5 candidatos cada); Rondônia (3); Ceará, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro (1). Todos disputaram vagas nas assembleias legislativas.


Lei


A legislação eleitoral obriga que cada partido ou coligação lance ao menos 30% de candidaturas de cada sexo para o cargo de deputado. O objetivo da regra é aumentar a participação feminina na política.


Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres são cinco em cada dez eleitores, mas apenas 3 em cada 10 candidatos.


Nas últimas eleições federais, em 2016, as candidaturas de mulheres com zero voto foram investigadas. Quando é comprovada fraude, todas as candidaturas envolvidos nas chapas devem ser cassadas.

 

Notícias ao Minuto

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