Publicada em 19/10/2018 às 10h03.
Enem 2018: uso de energéticos pode atrapalhar desempenho do estudante
Substâncias podem diminuir concentração, causar insônia e ansiedade. Especialistas explicam efeitos.
Enem 2018: especialistas alertam para o uso de energéticos — Foto: Pixabay

Enem 2018: especialistas alertam para o uso de energéticos — Foto: Pixabay


O endocrinologista Francisco Tostes, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e diretor da Clínica Nutrindo Ideais, explica que estas substâncias têm efeito adrenérgico, ou seja, ativam o sistema nervoso sensível aos neurotransmissores adrenalina e noradrenalina, hormônios que "preparam" o corpo para ações, geralmente relacionados ao estado de alerta do corpo.


"Elas têm efeito adrenérgico, funcionando como estimulantes, reduzindo então a percepção de cansaço", explica Tostes.


Junto com este estímulo, surgem alguns efeitos negativos que produzem o efeito oposto ao desejado pelos estudantes. "De uma maneira imediata, já podem causar agitação e, consequentemente, dificuldade de se concentrar; deixando portanto de atender ao motivo pelo qual estão sendo usados", diz Tostes.


"Seu uso crônico pode provocar transtornos de ansiedade, distúrbios do sono e elevação da pressão arterial, por exemplo", explica o endocrinologista Francisco Tostes.


Tostes esclarece ainda que o chamado efeito rebote após o uso é comum, especialmente se a pessoa exagera no uso destas substâncias: "Se levarmos nosso corpo acima do limite sob efeito de estimulantes, posteriormente os reflexos podem ser sentidos, com um quadro de cansaço até maior".


Planejamento contra a ansiedade


Marcelo Dias, coordenador do curso Etapa, explica que costuma trabalhar com os alunos um planejamento anual para que eles sintam menos a pressão das provas e não achem que precisam de estimulantes às vésperas do Enem.

Dias conta ainda que costuma conversar com os alunos para que eles não usem aditivos e que o mais comum costuma ser o guaraná em pó: "Pode ser que uma noite ele consiga ficar acordado, mas tem o efeito rebote. A longo prazo isso pode ser ruim, passa a intensificar problemas como insônia e atrapalha a rotina de todo o ano".

 

 

Energéticos: médicos e professores não recomendam o uso. — Foto: Pixabay

Energéticos: médicos e professores não recomendam o uso. — Foto: Pixabay


"Energético de uso moderado ou algumas xicaras de café, ok. Mas de forma intensiva como alguns fazem é ruim porque desregula todo o processo de aprendizado. A gente sempre recomenda que qualquer energético pode ser perigoso em excesso", explica.


E recomenda:


"Para a produtividade, melhor que energético é uma boa noite de sono. Ele vai render muito mais que um aluno que ficou acordado e no dia seguinte está muito cansado."- Marcelo Dias, coordenador do curso Etapa.


Nesta fase pré-Enem, Dias acredita que uma conversa entre alunos e professores pode ajudar a dar a confiança necessária para o momento de pressão e muitas vezes de incerteza: "Eu acho que eles têm muito problema com autoconfiança. Talvez pela idade. É o primeiro grande embate deles, eles ficam com medo, o que provoca uma baixa no desempenho. No cursinho, é muito comum ver professores conversando com alunos, algumas palavras caem como uma luva. A confiança é o ponto central para o vestibulando".

 

G1

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