
Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) chega a sua etapa final. Neste domingo, os feras vão encarar 90 questões divididas entre Ciências da Natureza e suas Tecnologias (que envolvem as disciplinas de física, química e biologia) e Matemática e suas Tecnologias. Diferentemente do ano passado, os cerca de 4,2 milhões de candidatos terão cinco horas para responder as questões. É importante que os feras fiquem atentos ao horário de abertura dos portões que, em Pernambuco, inicia às 11h - devido ao horário de verão - e fecha às 12h. Para esta última fase, professores recomendam calma, principalmente para quem acredita que não se saiu muito bem na Redação e nos questionamentos de Linguagens e Ciências Humanas.
“Para evitar pegadinhas, o aluno precisa ler e interpretar o comando da questão. Depois disso, é preciso ver como será desenvolvido o tema do que é pedido. Se o comando exige uma leitura completa do texto, é porque a respostá estará lá. Agora, se o comando não pedir essa leitura, nos casos envolvendo Química, a resposta pode estar numa charge, dentro de uma equação”, explicou o professor de química da Escola de Referência do Ensino Médio (Erem) Escitor José de Alencar, Ricardo Araújo.
Algumas técnicas já conhecidas pelos estudantes que vêm se preparando, como trabalhar a respiração, é fundamental para minimizar a ansiedade. “É muito importante chegar ao local de prova e momentos antes respirar profundamente para liberar toda tensão. Na hora da prova, minha dica é procurar por palavras chaves no texto. Elas podem ser associadas ao processo que está sendo pedido, a escolha da alternativa correta”, afirmou a professora de Biologia Ediene Gomes, da Escola Técnica Estadual (ETE) Almirante Soares Dutra.
Já na parte de matemática, que corresponde a 45 questões, muitos esquecem de conferir a Matriz de Referência do Enem - documento que descreve competências e habilidades exigidas dos candidatos. “Para matemática, são sete competências que precisam ser verificadas em relação ao conteúdo. A número um, por exemplo, fala sobre os conjuntos de números; a de número seis fala sobre algo que tem bastante recorrência, que é a interpretação de gráficos e tabelas. Tem a competência de número sete, que fala sobre estatísticas e probabilidade. É bom que o aluno fique atento”, explicou o professor de matemática da Escola Aurea de Moura Cavalcanti, Tarcio Siqueira.
O docente também lembra que o Enem utiliza a metodologia da Teoria de Resposta ao Item (TRI), aplicada com objetivo de reduzir os chutes. Dividido em níveis “fácil”, “médio” e “difícil”, o TRI é um algoritmo que consegue identificar se o candidato acertou a questão porque sabia a resposta correta ou se tentou a sorte. Dessa forma, eles calculam a pontuação pelo nível de dificuldade, que não é identificada na prova. Segundo a plataforma educacional Descomplica (descomplica.com.br), os níveis só são fechados pela banca do Enem quando os cartões-resposta são corrigidos. “As questões mais acertadas entram no grupo das mais fáceis, tendo uma pontuação mais baixa. Enquanto as questões com taxa baixa de acertos são consideradas mais difíceis e têm um valor maior.”
Vale lembrar aos feras o que pode ou não ser levado para o dia da prova. É imprescindível que o candidato apresente documento de identificação, e as questões só podem ser respondidas com caneta esferográfica de tinta preta e fabricada em material transparente. Também é aconselhavel portar o cartão de confirmação de inscrição. É proibido levar qualquer material impresso, borracha, caneta de material não transparte, dispositivos eletrônicos, óculos escuros, relógio, chapéus, gorros e bonés. Atenção para a divulgação dos gabaritos, que será no dia 14 de novembro. Já os resultados serão publicados no dia 17 de janeiro de 2019.
E depois do Enem?
O Enem é a principal porta para quem quer ingressar no ensino superior. A expectativa é grande, mas especialistas recomendam cautela para não ocorra frustração. Por gostar de conhecer novas culturas e idiomas, a estudante Sandy Ramos, 17 anos, planeja cursar turismo. Ela, inclusive, já consegue projetar seu futuro através da profissão. “Eu pretendo ser uma guia turística e já me imagino bem sucedida e atuando fora do País”.
Mas a escolha pela profissão não foi fácil. A dificuldade é algo comum entre os jovens, que muitas vezes colocam cursos de áreas diferente no Sisu por não terem certeza do caminho a seguir. “Já pensei em pedagogia, história e até mesmo em medicina, mas depois que comecei a pesquisar sobre Turismo e fazer testes vocacionais, decidi que era o que eu queria.” Para acertar na escolha e evitar futuras frustrações, a psicóloga Tarcy Lima alertou que é preciso autoconhecimento e bastante reflexão. “Vivemos em uma sociedade instantânea que cobra decisões assertivas a todo o momento, e essa pressão é ainda maior para os jovens, que sofrem interferência nas escolhas por parte da familia e amigos”, ressaltou. A família é um fator importante na construção dessas projeções. “Avaliações psicológicas também precisam ser consideradas, é uma forma de não perder tempo e acabar migrando para outros cursos”.
A especialista em gestão de carreiras Carolina Holanda recomenda aos jovens que façam testes vocacionais, pesquisem as disciplinas de cada curso e procurem profissionais que atuam na área para esclarecer dúvidas. “É necessário que o fera esteja ciente, também, das exigências cobradas pela profissão que ele escolheu, já que o mercado é bastante competitivo e exige mais que um diploma”. Outra dica é que o estudante vá à universidade que pretende estudar para conhecer a estrutura e conversar com os coordenadores. “Essas dicas são essenciais para que os feras não corram o risco de não se realizarem profissionalmente, pois muitos deles investem bastante no estudo e esquecem de investir na escolha que é essencial, pois é na área escolhida que eles vão atuar durante muito tempo”, concluiu.
Folha PE