
Foto: Satiro Sodre/SSPress
Há dez meses, a pernambucana Etiene Medeiros, de 27 anos, começava a temporada 2018 em uma sala de cirurgia para a retirada de um cisto sinovial no ombro direito. Por ser o primeiro procedimento mais delicado no corpo, não faltaram questionamentos acerca da recuperação do procedimento em si, da recuperação de movimento e ainda da força e potência essenciais principalmente para quem é velocista nata. Quando pensava um pouco adiante, Etiene via o Mundial de Piscina Curta. Era uma meta, mas faltava a certeza de que estaria pronta para entrar na disputa, até pela necessidade de conquistar o índice.
Foram quatro meses de trabalho físico e um retorno gradativo à água. Tudo feito com muito cuidado pela equipe multidisciplinar do Sesi/SP, junto com o técnico Fernando Vanzella. Mais de 200 dias e muitas dúvidas depois, Etiene segue hoje com destino à China, onde acontece o Mundial de Piscina Curta, evento no qual ela já conquistou cinco medalhas, sendo três ouros, uma prata e um bronze. A classificação foi obtida no Troféu José Finkel, no final de agosto, seletiva única para definir a delegação brasileira, composta por 16 atletas.
"Sinto algumas dores no ombro, mas o médico disse que é normal, está ok. Por mais que tenha sido um ano difícil, nunca treinei tão bem. Fisicamente estou bem", disse ela, que ficará alguns dias em Hong Kong, para aclimatação, e seguirá para Hangzhou, cidade-sede do Mundial, somente no próximo dia 7. "Comecei o ano sem saber se iria ao Mundial. A ansiedade vai começando quando chega a hora de arrumar as coisas, mas é normal, tem que saber equilibrar a adrenalina. Não quero criar expectativas."
Nos últimos anos, Etiene se consolidou como principal nome da natação feminina brasileira devido aos resultados expressivos obtidos em competições antes vistas como distantes da realidade nacional. Ganhou status de pioneira ainda na categoria de base, ao medalhar em um Mundial Júnior, e seguiu essa trilha na categoria profissional, com títulos e recordes continentais e mundiais.
Na China, Etiene tem previsão de nadar cinco provas, os 50 metros e 100 metros costas, os 50 metros livre, além dos revezamentos 4x50 metros livre e medley misto. “Tem que saber dosar e ter uma estratégia na competição porque o calendário é apertado”, disse ela, que pode até abrir mão de alguma prova a depender do andamento do Mundial.
Os 50 metros costas, prova da qual a pernambucana é recordista mundial e na qual tentará o tricampeonato, é a última da sua programação. "É natural que tenha uma pressão porque todo atleta que está no patamar alto quer manter o nível. Mas tem muita gente forte, acho que vai ser mais disputado que há quatro anos, por exemplo", comentou Etiene, citando, entre outras adversárias, a húngara Katinka Hosszú, uma das maiores campeãs da natação feminina mundial atualmente.
Após o Mundial, Etiene ainda nadará o Brasileiro Open, em Porto Alegre, nos dias 20 e 21 de dezembro. Depois disso, terá 12 dias de folga, quando passará rapidamente pelo Recife, e já retornará ao trabalho visando os compromissos de 2019.
Folha PE