Publicada em 27/01/2019 às 08h42.
Com risco de novo rompimento, buscas voltam a ser interrompidas
Sirene é acionada por risco de rompimento de nova barragem. Moradores deixam suas casas e vão para a parte mais alta.

(Reprodução da internet)

 

As buscas por sobreviventes do rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, foram temporariamente interrompidas na manhã deste domingo (27) pelo risco de rompimento de uma outra barragem na região. Uma sirene foi acionada por volta das 5h30, e moradores da parte baixa da cidade começaram a deixar as suas casas em direção à parte mais alta.


O rompimento da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, da Vale, ocorreu no início da tarde da última sexta-feira. Um mar de rejeitos destruiu casas da região e a área administrativa da empresa.


Há ao menos 34 mortos, 81 desabrigados e 23 feridos em hospitais, segundo os bombeiros. A Vale divulgou uma lista com 252 nomes de funcionários com os quais não conseguiram contatos.


Neste domingo, as sirenes foram acionadas por volta das 5h30 após ser detectado um aumento dos níveis de água nos instrumentos que monitoram a barragem VI, de acordo com a Vale.

 

Foto: G1


Ainda segundo a mineradora, as autoridades foram avisadas e, como medida preventiva, a comunidade da região está sendo deslocada para os pontos de encontro determinados previamente pelo Plano de Emergência.

 

Foto: Paula Paiva Paulo/G1


Um morador da parte baixa de Brumadinho disse em entrevista ao vivo à GloboNews que se assustou com o alarme e que, inicialmente, não sabia do que se tratava exatamente. Segundo ele, os vizinhos começaram a ligar uns para os outros para entender o que estava acontecendo e foram para a parte alta da cidade só depois que a polícia militar confirmou que era para todos deixarem suas casas. “Larguei a casa, peguei só uns suprimentos e documentos e fui embora. Não teve nenhum treinamento para saber se podíamos pegar mais coisas”, disse.

 

Foto: André Penner/AP


A chuva em Brumadinho dificultou os trabalhos de resgate neste sábado. Um ônibus foi encontrado com mortos na região próxima à barragem rompida, mas o número ainda não foi divulgado. Uma pousada que é destino de famosos foi soterrada e poucas vítimas foram resgatadas.

 

Foto: Divulgação/Cemig


Segundo os bombeiros, um novo balanço com o número atualizado de vítimas deve ser divulgado às 10h deste domingo.


O que se sabe até agora:


Há ao menos 34 mortos, 81 desabrigados e 23 feridos em hospitais, segundo os bombeiros;


A Vale divulgou uma lista com 252 nomes de funcionários com os quais não conseguiram contato (veja). Além destes funcionários, há outras possíveis vítimas entre pessoas que estavam em casas e em uma pousada na região;


Familiares de desaparecidos buscaram informações no IML de BH. Uma força-tarefa foi formada, mas a identificação dos corpos é difícil;


Oito corpos foram identificados e tiveram os nomes divulgados no sábado - veja aqui a lista;


Bombeiros divulgaram lista de 183 nomes de pessoas que foram achadas vivas;


A Vale já teve R$ 6 bilhões bloqueados (veja) e recebeu multas no total de R$ 350 milhões;


As Polícias Federal e Civil abriram inquéritos sobre o rompimento;


O presidente Jair Bolsonaro, ministros, o governador Romeu Zema e a Procuradora Geral da República, Raquel Dodge sobrevoaram a área e prometeram ações de investigação, punição e prevenção;


A ONU emitiu nota de pesar e ofereceu ajuda nos esforços de busca.


Ajuda de Israel


Ao serem retomadas, as buscas devem contar com apoio de bombeiros de outros estados, como do Rio de Janeiro, e também com a ajuda de profissionais israelenses.


Uma aeronave vinda de Israel deve desembarcar em Belo Horizonte no início da tarde com 140 técnicos, especialistas, médicos e 16 toneladas de equipamentos. O apoio foi oferecido pelo premiê Benjamin Netanyahu e aceito pelo presidente Jair Bolsonaro.


Impacto


O presidente da mineradora, Fábio Schvartsman, diz que ainda não se sabe o que causou o rompimento da barragem e que foi uma surpresa, porque as indicações eram de que estava “tudo em ordem”.


Os rejeitos da mineração são resultado do processamento para separar o minério de ferro bruto de impurezas que não têm valor. Essa sobra contêm restos de minério, sílica e derivados de amônia.

 

Foto: Mauro Pimentel/AFP


A Vale afirma que a lama vazada não é tóxica. Especialistas dizem, porém, que há danos ambientais graves, como a contaminação do solo e da água por minério fino, que fica na sobra dos rejeitos. 


A comunidade local já tinha alertado os órgãos ambientais do estado para o risco da continuidade das operações na mina do Córrego do Feijão, que já estava esgotada.


Estima-se que a lama percorra 200 km de área e chegue ao rio São Franciso. Ela está descendo a Serra dos Dois Irmãos, que é rica em Mata Atlância, deve cair no rio Paraopeba, que abastece um terço da região metropolina de Belo Horizonte, e desaguar no rio São Franciso.

 

 

G1

Os comentários abaixo não representam a opinião do Portal Nova Mais. A responsabilidade é do autor da mensagem.
TODOS OS COMENTÁRIOS (0)



Login pelo facebook
Postar
 
Curiosidades
Policia
Pernambuco
Fofoca
Política
Esportes
Brasil e Mundo
Tecnologia
 
Nova + © 2026
Desenvolvido por RODRIGOTI