
Terminou nesta terça-feira (12), em Nova York, o julgamento do traficante considerado o mais perigoso do mundo. O mexicano Joaquin Guzmán Loera, conhecido como El Chapo.
El Chapo - que em espanhol significa “o baixinho” - é descrito pela Justiça americana como o maior criminoso do século 21. O traficante, de 61 anos, foi condenado por todos os crimes de que era acusado, incluindo formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e narcotráfico.
Com isso, vai passar o resto da vida na prisão.
O julgamento num Tribunal da Justiça Federal no Brooklyn, em Nova York, durou pouco mais de três meses. Além de barreiras na porta, a polícia montou um esquema de segurança sem precedentes para transportar El Chapo para o tribunal todos os dias. Nada do que aconteceu lá dentro pode ser filmado.
Foram ouvidas 56 testemunhas, entre elas, 14 ex-comparsas de El Chapo, que fizeram acordos com a Justiça americana.
O traficante falou uma única vez. Disse ao juiz que, depois de conversar com os advogados, tinha decidido não depor.
A primeira prisão de El Chapo foi em 1993, na Guatemala. Transferido para um presídio mexicano, ele escapou em 2001. Nos anos seguintes, se tornou o chefe do poderoso cartel de Sinaloa e o principal traficante de cocaína para os Estados Unidos.
Em 2014, a polícia mexicana, com apoio dos americanos, prendeu El Chapo novamente e, de novo, o traficante fugiu, dessa vez por um túnel cavado embaixo da cela.
Em 2016 ele foi recapturado e acabou extraditado para os Estados Unidos no ano seguinte, com a condição de não ser condenado à morte.
Durante o julgamento, uma testemunha afirmou que, em 2012, El Chapo teria pagado US$ 100 milhões em propina para a campanha do então candidato a presidente do México Enrique Peña Nieto. Peña Nieto negou a acusação.
O promotor responsável pelo caso afirmou que a condenação é uma vitória para o povo americano, para os mexicanos e para todas as famílias que perderam alguém para o vício em drogas.
A defesa de El Chapo argumentou que ele nunca foi o chefe do cartel de Sinaloa; que os delatores exageraram a participação de El Chapo nos crimes com o objetivo de conseguirem redução das próprias penas; e afirmou que vai recorrer da condenação.
JornalNacional