Publicada em 13/02/2019 às 10h50.
Vendas do comércio sobem 2,3% em 2018 e têm maior alta em 5 anos, diz IBGE
Já em dezembro do ano passado, o comércio varejista nacional caiu 2,2% frente a novembro.
Vendas em supermercados puxaram resultado positivo de 2018 — Foto: Celso Tavares/G1

Foto: Celso Tavares/G1


As vendas do comércio varejista brasileiro registraram alta de 2,3% no ano passado, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior alta do indicador em cinco anos.


"Desde 2013, quando acumulou alta de 4,3%, o comércio não tinha desempenho tão elevado", afirmou Isabella Nunes, gerente da pesquisa.


"Apesar do resultado expressivo, as duas altas seguidas [2,1% em 2017 e 2,3% em 2018] não foram suficientes para compensar as perdas de 2015 e 2016. O setor ainda está 7% abaixo do patamar em que operava em 2014", destacou.


Ou seja, o crescimento acumulado de 4,4% nos últimos dois anos não recuperou a queda de 10,3% em 2015 e 2016.

 


Alta registrada em 2018 é a maior em cinco anos

Apesar do crescimento no acumulado no ano, as vendas perderam fôlego no segundo semestre, de acordo com Isabella, por causa da alta do dólar, incertezas diante do período eleitoral e recuperação da greve dos caminhoneiros.


Queda em dezembro


Em dezembro de 2018, o comércio varejista nacional caiu 2,2% frente a novembro, na série com ajuste sazonal, descontando grande parte do avanço de 3,1% registrado no mês anterior. Em relação a dezembro de 2017, o volume de vendas cresceu 0,6%.


Segundo Isabella, do IBGE, foi o pior resultado mensal desde janeiro de 2016, quando o volume de vendas do comércio varejista caiu 2,5%.

Vendas do comércio mês a mês

A pesquisadora do IBGE ponderou que o forte resultado negativo de dezembro ocorreu por causa da base de comparação. Em novembro, o comércio avançou 3,1% - a maior taxa mensal de toda a série histórica da pesquisa. “Essa taxa de dezembro foi impulsionada fortemente pelas promoções da Black Friday, que fizeram novembro ter um resultado muito elevado”, explicou.


Os recuos que mais influenciaram o resultado de dezembro vieram de outros artigos de uso pessoal e doméstico (-13,1%), móveis e eletrodomésticos (-5,1%) e tecidos, vestuário e calçados (-3,7%), segmentos que tiveram altas acentuadas em novembro (8,3%, 4,2% e 1,7%, respectivamente) por causa da Black Friday.


Isabella lembrou que dezembro sempre foi o mês mais forte para o comércio por conta das compras de fim de ano, que trazem receita superior à dos outros meses, mas a Black Friday começou a mudar o cenário.


“Ano após ano, os patamares de novembro e dezembro vêm se aproximando. Isso fica mais evidente quanto a gente observa individualmente as atividades do comércio. As vendas de outros artigos de uso doméstico e pessoal, móveis e eletrodomésticos são as que mais crescem em novembro desde o início desta promoção anual”, destacou.

 

G1

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