Publicada em 11/04/2019 às 09h25.
Possível poluição vinda do Porto do Recife na mira do MPPE
MPPE apura denúncias de pó preto que estaria invadindo residências no entorno da zona portuária levando, inclusive, a problemas respiratórios.

Imagem: Folha PE

 

O inquérito civil instaurado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) sobre uma possível contaminação do ar e do mar advinda de operação de coque de petróleo, no Porto do Recife, teve sua primeira audiência nesta quarta-feira (10). O material é um tipo de combustível em pó utilizado por siderúrgicas. Antes manejado no Porto de Suape, o produto passou para a lista de atividade do porto da Capital a mais de 10 anos e hoje é uma das principais receitas do estabelecimento. 


A polêmica em torno sobre a operação teve início em 2018 quando moradores de áreas vizinhas começaram queixas sobre o volume do pó preto que começou a invadir casas e apartamentos. Os relatos de problemas respiratórios e alergias também se acumulam desde o ano passado. A insegurança sobre os danos a saúde e ao meio ambiente fizeram com que esses moradores acionassem o MPPE em busca de esclarecimentos sobre o risco que eles e a cidade poderiam estar correndo. 


“O problema não é a sujeira. Quando vamos pesquisar sobre essa substância ficamos assustados. Encontramos um trabalho de mestrado que relaciona o coque ao câncer e a problemas respiratórios”, disse a estudante Jaqueline Barros, 32 anos, que é moradora da Vila Naval. É de lá onde chegaram as primeira queixas da possível contaminação. “A gente respira esse pó e nem nota porque são micropartículas. Até minhas plantas já morreram. Todos nós estamos sofrendo. Não podemos esquecer do rio (Capibaribe)”, endossou a dona de casa Adriana Tavares, 45. 


Além da Vila Naval, moradores da rua da Aurora também fizeram queixas semelhantes. Todos afirmaram que a poluição que começou no meio do ano passado, permanece mesmo que em menores proporções este ano. Os relatos da comunidade, além do Porto do Recife, do operador M&G São Caetano, da CPRH, Prefeitura do Recife foram ouvidos pelo promotor de Meio Ambiente, Ricardo Coelho.


“O principal da questão é a viabilidade de um porto operando com produtos químicos dentro do Recife e cercado de moradias. Afora isso, a prova vai ser técnica. Serão realizadas perícias pela Agência Ambiental do Estado, pela Prefeitura do Recife, Secretaria de Meio Ambiente e pelos técnicos do MPPE para provar se está ocorrendo poluição atmosférica nessa operação. Também se a operação está sendo realizada da forma como foi autorizada e licenciada pela agência ambiental”, disse Coelho.


Segundo ele, se for verificada qualquer irregularidade o problema deverá ser sanado caso contrário, a operação poderá ser interrompida ou suspensa. Entre as deliberações do promotor estão o acompanhamento do próximo descarrego de coque, que deve acontecer no dia 17, por uma força-tarefa que deve avaliar entre outros itens a toxicidade promovida no ar. Outra recomendação foi uma vistoria dos Bombeiros no porto para checar se o material traz risco de incêndio. 


O diretor de Controle de Fontes Poluidoras da CPRH, Elvino de Lima, destacou que nas duas inspeções iniciais realizadas na operação foram verificadas falhas nas telas que deveriam conter o pó na área restrita e também em máquinas responsáveis por umidificar o material (aspersor). Haverá inclusive autuação do Porto devido aos problemas. Na última sexta-feira, uma nova vistoria encontrou a tela refeita e um aspersor funcionando. “O relatório de viabilidade social e ambiental só será finalizado após acompanhamento do próximo descarrego dia 17 e a confecção dos laudos”, afirmou Lima. 


O advogado da M&G, Bruno Régis disse que a empresa é operadora portuária qualificada, detém todas as licenças necessárias a operação de coque de petróleo, mas que está em consonância com os órgãos na construção de um modelo de operação que não traga nenhum tipo de transtorno. Já o Porto do Recife informou que todas as operações estão dentro das normas legais e com as licenças necessárias. Destacou também que o coque é armazenado em área contida, coberta com lona e são aplicados todos os tratamentos necessários para minimizar a dispersão de material particulado.

 

FolhaPE


 

Os comentários abaixo não representam a opinião do Portal Nova Mais. A responsabilidade é do autor da mensagem.
TODOS OS COMENTÁRIOS (0)



Login pelo facebook
Postar
 
Curiosidades
Policia
Pernambuco
Fofoca
Política
Esportes
Brasil e Mundo
Tecnologia
 
Nova + © 2026
Desenvolvido por RODRIGOTI