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Um dia depois do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro comentar sobre a indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), revelada por Bolsonaro no fim de semana, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), criticou a “negociação barata envolvendo um dos mais elevados cargos da República”.
Para o senador, a conduta do ministro enquanto era juiz deve ser matéria de investigação. "Moro deveria ser investigado pela sua conduta de negociar a liberdade de um indivíduo em troca de um cargo público; suas decisões contra Lula deveriam ser anuladas pelo Poder Judiciário; e, se ele tivesse o mínimo de discernimento, deveria juntar os cacos da dignidade que lhe restou e pediria demissão", afirmou.
Em um discurso duro no plenário do Senado, Humberto disse que houve uma confirmação pública de tudo aquilo que o PT já denunciava: a de que Moro fez uma transação política para emprestar ao novo governo o prestígio público que amealhou como juiz da Lava Jato em troca de uma cadeira no STF.
“Um balcão de feira armado enquanto ele vestia uma toga, com a qual perseguiu adversários e criou as condições decisivas para interferir no resultado das eleições e assegurar a vitória de Bolsonaro. O próprio vice-presidente, Hamilton Mourão, já havia reconhecido que essas negociações se deram ainda no período eleitoral”, ressaltou.
Para Humberto, o então juiz foi estimulado a agir mais ativamente em favor do futuro chefe, com a finalidade de lhe entregar o trabalho prometido. “Foi assim com a fantasiosa delação de Palocci, sem qualquer validade jurídica até hoje, e vazada criminosamente na campanha pela 13ª Vara Federal de Curitiba, com a finalidade exclusiva de prejudicar o PT. Um presente sob medida do juiz Moro em busca de se tornar o ministro Moro”, lembrou.
De acordo com o senador, se alguém ainda tinha alguma dúvida da militância de Moro, a "confissão" de Bolsonaro jogou luz sobre o assunto. “A toga caiu. E o que restou não foi um super-herói. O que restou foi um Moro que posou durante anos como paladino da moralidade e acabou descoberto como alguém que abaixa a cabeça à espera da recompensa prometida”, detonou.
Folha PE