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Novos dados do primeiro estudo científico sobre as complicações neurológicas associadas a chicungunha, zika e dengue revelam uma ampliação na lista de doenças neuroinvasivas que pode ter como gatilho a infecção pelos vírus da tríplice epidemia (anos de 2015 e 2016).
Nessa relação, está o acidente vascular cerebral (AVC), segundo a chefe do Serviço de Neurologia do Hospital da Restauração (HR), Maria Lúcia Brito. A informação foi compartilhada nessa quarta-feira (29) com profissionais das unidades de urgência e emergência do Estado durante capacitação realizada na Secretaria Estadual de Saúde (SES), no Bongi, Zona Oeste do Recife.
“Os casos de AVC que vimos no HR são referentes à faixa etária mais avançada. Pacientes relatavam infecção viral de sete a dez dias antes do quadro agudo compatível com um AVC. A investigação mostrava uma isquemia e, em alguns casos, hemorragia cerebral. Os exames foram positivos para arbovírus (como zika e chicungunha) e sempre retestados. Entre as manifestações, dificuldade para falar e deglutir”, salienta Maria Lúcia.
A médica explica que os acidentes vasculares têm associação com processos inflamatórios e que essa característica pode levar à compreensão da possibilidade de os vírus terem provocado uma inflamação que desencadeou o quadro de AVC.
“O que não sabemos é por que uma pessoa (após a infecção por zika ou chicungunha, por exemplo) evolui com um AVC e outra desenvolve uma neuropatia periférica (como uma doença do sistema imunológico que ataca os nervos das extremidades do corpo). Isso depende da genética de cada um ou da resposta imunológica? É isso que estudamos agora”, esclarece Maria Lúcia.
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