
Imagem: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco
São 44 degraus que separam a integração entre o terminal de ônibus e a estação de metrô no Terminal Integrado de Cajueiro Seco, em Jaboatão dos Guararapes. Parece pouco quando se tem a mobilidade em bom estado, mas para idosos, pessoas com deficiência ou com problemas na articulação e até mesmo grávidas esse é um problema para quem não tem a opção de utilizar uma escada rolante ou elevador. Os serviços estão quebrados há meses e, até agora, não tem previsão de conserto.
A reportagem compareceu ao local após a denúncia de um dos passageiros. Informações afirmam que a escada rolante não funciona desde dezembro do ano passado, enquanto o elevador está parado desde fevereiro. A dificuldade de locomoção é tanta que alguns usuários já deixaram de sair de casa por conta disso.
Outra “solução” para não encarar os lances de escada foi a utilização de rotas alternativas, como conta Maria do Carmo, de 83 anos. Ela frequenta semanalmente o terminal e prefere pegar o trem para Marcos Freire, onde mora, para não enfrentar as escadas que dão acesso às paradas de ônibus. “Eu vou devagarzinho quando tem muita gente para não cair, mas só Deus mesmo, porque é uma dificuldade enorme”, desabafa.
O terminal, que foi inaugurado em 2013, beneficia mais de 50 mil usuários da Região Metropolitana do Recife. No entanto, durante os horários de pico, o fluxo de transeuntes é maior, o que oferece mais riscos para quem possui a mobilidade reduzida, como é o caso do aposentado Isac Barbosa, de 60 anos, que se locomove com a ajuda de muletas. Ele alega que, quando tem muitas pessoas na plataforma e nas escadas, espera o quantitativo diminuir para que não seja empurrado. “Na escada eu desço bem devagar, então espero todo mundo passar na frente. Ainda bem que até hoje não aconteceu um acidente pior, mas diversas vezes já esbarraram em mim”, conta, “desse jeito, com tudo parado, é mais uma dificuldade para mim”.
Por “sorte”, a escada rolante que dá acesso à plataforma do metrô funciona, mas deixa a desejar já que o elevador foi encontrado em manutenção. O que não falta são relatos de quem diariamente transita entre os dois serviços, como a estudante Rayane Maria, de 20 anos, que se desloca de Marcos Freire para a universidade. Ela conta que desde a inauguração do terminal os serviços de acessibilidade apresentam problemas e, mesmo quando é consertado, não dura muito tempo.
“Eles consertam e passa pouco tempo funcionando, isso há mais de seis meses. Não dá para ter uma perspectiva de melhora desse jeito”, desabafa. Rayane ainda conta que já viu de tudo para driblar as escadas. Desde cadeirante pedindo ajuda à população para subir, até um indivíduo cego que tentou subir e não conseguiu. “O meu pai mesmo não tem mais condições de pegar o metrô nessa estação porque ele sofre do joelho e não consegue subir as escadas”, descreve. A estudante ainda questiona o aumento da passagem, tanto dos ônibus quanto do metrô, que não apresentam melhoria nos serviços.
Procurada, a Grande Recife informou que concluiu o processo de licitação e aguarda a assinatura do contrato com a empresa responsável pela manutenção das escadas rolantes e elevadores nos terminais integrados da Região Metropolitana do Recife. “Após a assinatura, os trabalhos serão iniciados com prioridade para o TI Cajueiro Seco”, informou ainda.
Folha PE