Publicada em 14/07/2019 às 09h30.
Palácio Joaquim Nabuco fechado para obra de restauração
O serviço emergencial no prédio-museu custará quase R$ 1 milhão.

Imagem: Leo Motta/JC Imagem

 

O Palácio Joaquim Nabuco, que até a primeira sexta-feira de julho (05/07) recebia visitantes e abrigava a Superintendência de Patrimônio Histórico do Legislativo, suspendeu as atividades nesse mesmo dia para o início de obra emergencial de restauração. Construção do século 19 de arquitetura eclética (mistura de vários estilos), o prédio está localizado na Rua da Aurora, no bairro da Boa Vista, Centro do Recife, e era a sede da Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco até junho de 2017. O serviço foi contratado com dispensa de licitação e custará R$ 998.171,11 à Alepe.


“Essa contrapartida de quase um milhão de reais não seria necessária, mas laudos do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil indicam riscos de incêndio e infiltrações que comprometem a estrutura da edificação”, justifica o deputado Clodoaldo Magalhães (PSB). “Solicitamos a dispensa de licitação à Procuradoria-Geral da Assembleia com base nos laudos, tivemos o respaldo para contratar uma empresa com expertise e escolhemos a Concrepoxi”, afirma o deputado, acrescentando que o valor não é tão expressivo se comparado com o orçamento total da obra.


A restauração completa do Palácio Joaquim Nabuco está orçada em R$ 17 milhões, incluindo o valor da ação emergencial para modernizar as instalações elétricas e eliminar infiltrações na paredes e forros. Um instituto privado está fazendo a captação de R$ 16 milhões pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Rouanet) e selecionará a empresa que vai executar a obra, com prazo estimado de dois anos para execução. “Esperamos ter os recursos para emendar a segunda etapa com essa fase inicial que já começou, sem descontinuidade”, declara Clodoaldo Magalhães.


Conduzida pelo engenheiro José Tibúrcio Pereira de Magalhães (1831-1886), a construção do imóvel se estendeu de 1870 a 1875. No ano de 1985, a edificação passou a integrar o conjunto urbano da Rua da Aurora tombado como patrimônio estadual pelo Conselho de Cultura. Em 2010, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) reconheceu o Palácio Joaquim Nabuco – extensivo ao acervo de esculturas, móveis e documentos – como instituição museológica, informa a superintendente de Preservação do Patrimônio Histórico do Legislativo, Cynthia Barreto.


“Dois anos atrás, em 2017, a Alepe solicitou à Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) o tombamento isolado da edificação, por tudo o que ela representa para a população. A fundação acatou o pedido, o prédio encontra-se sob salvaguarda do Estado e até o fim do processo será tratado como um bem protegido por lei”, destaca Cynthia. O palácio foi desocupado com a transferência da Superintendência de Patrimônio Histórico para outros imóveis.


Memória


O acervo guardado na edificação antiga – mais de 60 milhões de documentos produzidos e recebidos, quadros, esculturas, bustos, lustres, cortinas, tapetes e móveis, entre outras peças – foi acondicionado em caixas e retirado na sexta-feira. “O Palácio Joaquim Nabuco reabrirá como um museu com interatividade, vamos trazer a nossa história para a atualidade usando as tecnologias disponíveis, é o passado projetando o futuro”, observa Clodoaldo Magalhães. “Temos documentos interessantíssimos, a memória da assembleia é a alma do museu”, reforça do deputado.


Ele cita como exemplo o ofício enviado à Alepe por uma mulher solteira que pedia um dote por não ter se casado. A documentação administrativa e parlamentar tem origem em 1747, com atas, petições, leis e projetos, complementa Cynthia Barreto. “Nosso acervo é bastante procurado para pesquisas acadêmicas e também desperta curiosidade do público, por isso ficamos com o prédio aberto às visitações até sexta-feira. Porém, por segurança, as pessoas não percorriam toda a edificação”, diz Cynthia Barreto.


Num passeio pelas dependências do prédio, ela mostra buracos no forro, um ocorrido em 2017 e outro mais recente, resultado da chuva forte do dia 13 de junho de 2019 que provocou o afastamento de telhas. E ressalta que o Palácio Joaquim Nabuco não tem risco de cair nem está amparado por escoras. “Nosso problema mais grave é a fiação inadequada, o imóvel foi projetado para uma situação e hoje tem uma infinidade de cabos e fios para atender demandas da modernidade, então o risco de incêndio existe. Sanitários instalados na década de 1970 também prejudicaram o edifício”, relata.


A estrutura de ferro onde fica assentado o lustre principal do plenário está oxidada e precisa de reparos, sublinha. A obra de restauração, com mestres de ofício especializados em madeira, ferro e pedra, vai recuperar guarda-corpo, esculturas e adornos florais nas paredes e no teto. A Alepe está instalada num prédio novo da Rua da União, na Boa Vista, próximo ao palácio.


JC Online

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