Publicada em 17/07/2019 às 15h52.
OMS declara emergência internacional por surto de ebola
Apesar da declaração, risco de disseminação do vírus fora da região da RDC é baixo.

 

 Foto: Isaac Kasamani/AFP

 

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, nesta quarta-feira (17), que o surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) se tornou uma emergência internacional de saúde pública. Em uma entrevista coletiva com jornalistas por telefone, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que, embora ainda não haja registros de transmissão de ebola em países vizinhos, dois casos de pessoas que estiveram na fronteira da RDC com a Ruanda e Uganda e depois foram diagnosticadas com o vírus levaram a organização a tomar a decisão.


"O risco de disseminação na RDC e na região segue muito alto, mas o risco de disseminação fora da região permanece baixo", ressaltou Ghebreyesus a jornalistas.


Na segunda-feira (15), a OMS havia informado que mais de 1.600 pessoas já morreram desde o início do surto de ebola no leste da República Democrática do Congo, há um ano. O surto foi declarado oficialmente em 1º de agosto de 2018, e é considerado o segundo maior da doença de todos os tempos.


O diretor-geral explicou que "não há evidência de transmissão" do vírus na Uganda e na Ruanda. "Mas, como os dois eventos indicam uma disseminação do vírus, o comitê pediu que eu declarasse emergência de preocupação internacional."


Robert Steffen, presidente do Comitê de Emergência de Regulações Internacionais de Saúde da organização, explicou ainda que essa "ainda é uma emergência regional e de forma alguma uma ameaça global".


Ajuda da comunidade internacional


Apesar da declaração de emergência internacional, as duas autoridades recomendaram aos países que não fechem fronteiras nem restrinjam as viagens e negócios com a RDC ou os países vizinhos.


"Isso provocaria um impacto terrível na economia da região", explicou Steffen, ressaltando que as "consequências negativas" do isolamento da RDC e de outros países da região incluem, por exemplo, menos dinheiro para prevenir a disseminação do vírus.


Além disso, segundo ele, o fechamento de fronteiras ou limitação de viagens estimularia a população a buscar alternativas ilegais de cruzamento de fronteiras, que atualmente estão sendo monitoradas de perto justamente para evitar que pessoas saiam do país portando o vírus.


Por isso, a consequência desse isolamento não afetaria apenas os países já afetados, mas aumentaria o risco de outros países acabarem entrando na zona de transmissão do vírus.


"Mais de 75 milhões de checagens para detectar o ebola já foram feitas em fronteiras e outros checkpoints", ressaltou Ghebreyesus sobre uma das ações locais para prevenir a epidemia.


FONTE: G1

 

 

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