
Foto: Julya Caminha/Folha de Pernambuco
A promotora de justiça do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Eliane Gaia, esclareceu na quinta-feira (18) o pedido para o aumento de pena do trio conhecido como “Canibais de Garanhuns”, feito cinco meses após a última condenação de Jorge Beltrão, Isabel Cristina e Bruna Oliveira.
O pedido foi para as penas estabelecidas em júri popular em 2014 para o trio pelo assassinato da adolescente Jessica Camila da Silva Pereira, à época com 17 anos. “Apesar de reconhecer que o crime foi grave, de maneira cruel e repercussão em rede nacional, a juíza responsável pelo caso na época não considerou as circunstâncias e penalizou os acusados brandamente”, explicou a procuradora de justiça.
Segundo a procuradora, a decisão do órgão se deu por conta da gravidade dos crimes, que foram homicídio qualificado, ocultação de cadáver e vilipêndio - quando se desrespeita o corpo. A família de Jessica ainda será informada sobre a medida, que transitou em julgado esta semana, na 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco, o TJPE.
Relembre o caso
Jéssica Camila foi assassinada em 2008, em Rio Doce, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife, mas o crime só foi descoberto quatro anos depois, em 2012, quando partes do seu corpo foram encontradas na parede da casa dos acusados. Jéssica era vendedora de doces em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, e foi escolhida pelo trio por ser considerada um alvo fácil e por ter uma filha. Após o assassinato de Jéssica, Bruna Oliveira se passou pela mãe da criança, falsificando os documentos.
O grupo fazia parte de uma seita chamada "Cartel", que foi fundada por Jorge Beltrão, e considerava Jéssica impura. Na época, eles alegaram que os crimes faziam parte de um ritual, o qual o corpo da vítima era dividido e o sangue servia como uma "maneira de se purificar". O grupo também admitiu o consumo da carne humana para que houvesse uma "maior purificação".
Folha PE