Publicada em 06/10/2019 às 11h13.
Bolsonaro nega praticar censura na cultura
O governo do político tem sido acusado de promover constantes interferências no setor.

Imagem: reprodu??o do Instagram


O presidente Jair Bolsonaro (PSL) negou no s?bado (5) que esteja promovendo "censura" na ?rea da cultura, mas disse que pretende preservar os "valores crist?os" e da fam?lia no setor.


Em uma videoconfer?ncia transmitida no 3? Simp?sio Nacional Conservador, em Ribeir?o Preto (SP), Bolsonaro disse que est? preparando mudan?as na Funarte e na Ancine (Ag?ncia Nacional de Cinema) e reclamou que nesses ?rg?os h? pessoas empregadas em cargos de confian?a desde o governo Lula.


"A gente n?o vai perseguir ningu?m, mas o Brasil mudou. Com o dinheiro p?blico n?o veremos mais certo tipo de obra por a?. Isso n?o ? censura. Isso ? preservar os valores crist?os, tratar com respeito a nossa juventude, reconhecer a fam?lia como uma unidade que tem que ser saud?vel para o bem de todos. Essa ? nossa linha", disse o mandat?rio.


As declara??es de Bolsonaro ocorrem um dia depois de a Folha revelar que a a Caixa Econ?mica Federal criou um sistema de censura pr?via a projetos culturais realizados em seus espa?os em todo o pa?s.


Novas regras implementadas neste ano exigem que detalhes do posicionamento pol?tico dos artistas, o comportamento deles nas redes sociais e outros pontos pol?micos sobre as obras constem de relat?rios internos avaliados pela estatal antes que seja dado o aval para que pe?as de teatro, ciclos de debates e exposi??es j? aprovados em seus editais entrem em cartaz.


Funcion?rios da Caixa Cultural de diferentes estados relataram ? Folha de S.Paulo que essas novas etapas no processo de sele??o de projetos patrocinados pelo banco permitem uma persegui??o aberta a determinadas obras e autores.


Os relat?rios j? eram uma pr?tica de anos anteriores, mas agora ostentam os t?picos "poss?veis pontos de pol?mica de imagem para a Caixa" e hist?rico do artista e do produtor "nas redes sociais e na internet". Procurada, a Caixa diz n?o haver restri??es a temas.


N?o ? a primeira a??o do governo Bolsonaro na ?rea da cultura vista como interfer?ncia pelo setor.


Bolsonaro j? defendeu que o presidente da Ancine deveria ser um evang?lico que conseguisse recitar de cor "200 vers?culos b?blicos", que tivesse os joelhos machucados de tanto ajoelhar e que andasse com a B?blia debaixo do bra?o.


O presidente tamb?m chegou a dizer que pretendia extinguir a ag?ncia caso n?o pudesse implantar um "filtro de conte?do", uma inten??o encarada como censura por profissionais da ?rea.


Em declara??es anteriores, ele tamb?m ressaltou que a Ancine n?o liberaria recursos do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual) para projetos com a tem?tica de sexualidade.


FONTE: FOLHA PE 

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