
Imagem: T?nia Rego/Ag?ncia Brasil
Uma comitiva dos EUA esteve na ?ltima quinta (10) em Bras?lia para uma reuni?o de alto n?vel no Minist?rio da Defesa que resultou em um pedido curioso: os americanos querem que militares brasileiros treinem seus soldados para agir em miss?es de paz da ONU.
Tecnicamente, n?o ? inusitado. O Brasil liderou durante 13 anos a miss?o das Na??es Unidas no Haiti, per?odo no qual cerca de 37 mil militares passaram pela ilha caribenha. O pa?s s? n?o enviou contingente para assumir a complicada empreitada da ONU na Rep?blica Centro-Africana por falta de verbas.
Experi?ncia n?o falta. Neste ano, 15 soldados treinados para combate na Amaz?nia foram enviados para treinar tropas da ONU no Congo, por exemplo. O treinamento poderia ocorrer no Brasil ou nos EUA.
Mas causa estranhamento o pedido americano. A administra??o Donald Trump se notabilizou at? aqui por duas coisas na ?rea militar: o desejo de desengajar-se daquilo que o presidente chama de guerras in?teis, como argumentou ao retirar o apoio aos curdos na S?ria nesta semana, e a escassa considera??o a organismos multilaterais como a ONU.
Miss?es de paz s?o altamente complexas, porque envolvem n?veis de governan?a civil e militar de diversos pa?ses, sempre sob a ?gide das Na??es Unidas.
Tradicionalmente, americanos s?o comandantes nos campos de batalha onde servem -o que ? ?bvio, dado que s?o a maior pot?ncia b?lica do planeta.
Quando houve o terremoto que destro?ou o Haiti em 2010, houve uma tensa experi?ncia com a presen?a maci?a de soldados americanos para o socorro humanit?rio, mas que acabou contornada pelo comando brasileiro da opera??o.
Seja como for, a tratativa ainda est? no n?vel de come?o de conversa, assim como as demandas apresentadas pelo lado do Minist?rio da Defesa.
No fim de julho, os EUA concederam ao pa?s o status de aliado priorit?rio fora do escopo da Otan (alian?a militar ocidental, liderada por Washington). Agora, os militares brasileiros querem saber como podem fazer melhores neg?cios com os americanos.
Dois itens foram colocados na mesa. Primeiro, estudo para a retirada de algumas barreiras a exporta??es de material militar brasileiro. Segundo, estabelecer o caminho para que o Brasil tenha acesso a compras via o FMS (Vendas Militares Estrangeiras), um mecanismo que facilita a exporta??o de armamentos americanos em condi??es favor?veis para pa?ses aliados.
Com isso, seria facilitada a entrada de sistemas de armas dos EUA no Brasil. N?o foi especificado, contudo, que tipo de material poderia interessar aos brasileiros. Nos meios militares, a car?ncia mais imediata ? na ?rea naval.
O pa?s tem pretens?es de virar o policial do Atl?ntico Sul, por assim dizer, e tem ganho mais controle sobre territ?rio mar?timo em decis?es recentes da ONU. Um dos motivos ? o potencial mineral do subsolo de algumas regi?es, al?m do fluxo de rotas comerciais pela ?rea. O problema, para isso, ? ter navios suficientes.
Hoje, n?o h?. Das 8 fragatas em atividade, por exemplo, 1 est? sendo desativada, 2 est?o em manuten??o e 3 entrar?o no estaleiro em 2020, inclusive a Uni?o, que hoje ? nau-capit?nia da ?nica opera??o naval da ONU, na costa do L?bano. O Brasil j? indicou que deixar? a miss?o.
H? um programa de constru??o de novos submarinos em curso, e a perspectiva da fabrica??o de novas corvetas, mas ambas as iniciativas padecem dos cortes de investimento que o governo promoveu devido ? crise fiscal.
FONTE: FOLHA PE