Publicada em 17/10/2019 às 09h27.
É #FAKE mensagem que fala em mortes após churrasco com madeira
Mensagem falsa circula desde 2008 e tem voltado a bombar nas redes.

Imagem: Reprodução/G1


Circula pelas redes sociais uma mensagem que diz que três homens morreram durante um churrasco após queimarem madeira de poste de transmissão usado e descartado. É #FAKE.


O texto falso circula nas redes sociais há mais de dez anos e já foi desmentido outras vezes, mas tem voltado a bombar.


A mensagem afirma que os homens morreram envenenados por causa da volatização do arsênico presente na madeira, em Itaiópolis, uma cidade com pouco mais de 20 mil habitantes, em Santa Catarina. O prefeito da cidade, Reginaldo José Fernandes Luiz, diz que é tudo mentira. "É uma fake news das mais absurdas que podem existir. Aqui em Itaiópolis nada disso aconteceu", afirma.


O texto que circula nas redes sociais é finalizado com a assinatura do professor Tetuo Hara, da Universidade Federal de Viçosa. A instituição informa que ele realmente trabalhou lá, mas está aposentado. Ele diz, no entanto, que jamais escreveu tal carta.


Química, mestre em tecnologia ambiental e pesquisadora do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, a coordenadora técnica da Associação Brasileira de Preservadores de Madeira (ABPM), Gisleine Aparecida da Silva, afirma que a mensagem contém vários erros.


Em primeiro lugar, ela diz que essa madeira é tratada com cobre, cromo e arsênio (e não cobalto, como diz o texto falso). Existe um limite seguro para o uso dessas substâncias e todo o processo é controlado por normas técnicas, afirma.


Apesar disso, não é mesmo recomendado queimar madeira dessa procedência, assim como não é recomendável queimar nenhuma madeira industrializada. Ela também não deve ser utilizada como tábua de carne e cocho de animais, por exemplo.


Gisleine diz, porém, que o tratamento da madeira ocorre de forma fechada: os produtos são diluídos no tratamento da madeira sob pressão e, quando penetram, reagem com os componentes da madeira e formam compostos insolúveis.


Engenheiro civil, especialista em estruturas de madeira e presidente do Sindicato da Madeira de Ponta Grossa, o empresário Leonardo Puppi Bernardi, que foi diretor de normatização da ABPM, afirma ainda que a quantidade de arsênio presente na madeira é insuficiente para intoxicar uma pessoa.


Ele acredita que a difusão do boato atende a objetivos comerciais de concorrentes das empresas de madeira tratada. E explica que o arsênio presente na madeira serve para evitar cupins, o cobre, para evitar fungos, e o cromo, para fixar as substâncias.


O setor de preservação de madeira é regulado por uma série de normas técnicas. Existe um comitê brasileiro de madeira que atua para regular todas as questões relativas ao setor, entre elas o tratamento da madeira, com normas específicas para postes, dormentes, mourões, carreteis, estruturas e construção civil.


FONTE: G1

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