/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2019/G/Q/ujjXxTR3is38TrzwUfJA/protestoparaisopolis.jpg)
Foto: Jose Barbosa/Futura Press/Estadão Conteúdo
A Secretaria Municipal de Saúde informou que uma mulher ferida no tumulto que causou 9 mortes no baile funk em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo, no último domingo (1º) permanece internada. Outras 11 pessoas que foram atendidas em hospitais da cidade após a confusão foram liberadas, de acordo com a pasta.
Na noite de domingo, moradores protestam na comunidade. A manifestação reuniu parentes e amigos das nove pessoas que morreram pisoteadas durante um baile funk, depois de uma perseguição policial seguida de tiros.
O grupo carregou cartazes e gritou: "Justiça! Justiça!". Parte deles seguiu em caminhada até a Avenida Giovani Gronchi. A manifestação foi pacífica.
A mãe de uma adolescente de 17 anos ferida com uma garrafa disse que a ação policial foi uma emboscada contra as pessoas que estavam no baile. PM diz que criminosos provocaram.
Oito homens e uma mulher morrem pisoteados em baile funk em Paraisópolis, em São Paulo
O que aconteceu
De acordo com a polícia, agentes do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) realizavam uma Operação Pancadão na comunidade – a segunda maior da cidade, com 100 mil habitantes – quando foram alvo de tiros disparados por dois homens em uma motocicleta. A dupla teria fugido em direção ao baile funk ainda atirando, o que provocou tumulto entre os frequentadores do evento, que tinha cerca de 5 mil pessoas.
A jovem ferida durante a confusão descreveu o momento em que foi atingida. "Eu não sei o que aconteceu, só vi correria, e várias viaturas fecharam a gente. Minha amiga caiu, e eu abaixei pra ajudá-la", afirmou.
"Quando me levantei, um policial me deu uma garrafada na cabeça. Os policiais falaram que era para colocar a mão na cabeça."
Segundo a polícia, equipes da Força Tática, ao chegarem para apoiar a ação em Paraisópolis, levaram pedradas e garrafadas. Os policiais, então, teriam respondido com munições químicas para dispersão. Ainda de acordo com informações da polícia, alguém no meio da multidão disparou um tiro, e houve correria.
Durante a confusão, pessoas foram pisoteadas. Duas viaturas da PM foram depredadas. O delegado Emiliano da Silva Neto, do 89º DP, afirmou que todas as vítimas morreram pisoteadas e que ninguém foi vítima de disparos.
Repercussão
O governador João Doria (PSDB) lamentou as mortes e pediu "apuração rigorosa" do episódio. O Ouvidor das Polícias, Benedito Mariano, afirmou que "a PM precisa mudar protocolo".
A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, afirmou em entrevista à GloboNews que a polícia tem de prestar contas do que ocorreu "sem medo de assumir um erro caso tenha havido".
FONTE: G1