Publicada em 19/12/2019 às 08h46.
Cordelista e xilógrafo Mestre Dila morre aos 82 anos
José Soares da Silva, era patrimônio vivo de PE e um dos maiores nomes da xilogravura no estado. O artista morreu vítima de pneumonia.

Imagem: reprodução do Google


Morreu na última quarta-feira (11) o cordelista e xilógrafo José Soares da Silva, mais conhecido como Mestre Dila, em Caruaru, no Agreste. O artista de 82 anos era patrimônio vivo de Pernambuco e um dos maiores nomes da xilogravura no estado.


Ele estava internado há uma semana no Hospital Mestre Vitalino. A causa da morte do xilógrafo foi uma pneumonia. O artista viveu e trabalhou por muitos anos na Capital do Agreste e exerceu outras profissões como agricultor, gráfico e tipógrafo.


Dos 82 anos de vida, em 50 deles Ele se dedicou à xilogravura. Ele é um dos homenageados do desfile do Galo da Madrugada, no Recife, durante o Carnaval 2020.


O artista deixa cinco filhos e 11 netos. O velório do Mestre será realizado no Cemitério Dom Bosco, em Caruaru, e o enterro está marcado para 16h.


Sobre Mestre Dila


Agricultor, gráfico e tipógrafo foram as profissões exercidas por José Soares da Silva em Caruaru antes de se tornar o cordelista e xilógrafo Mestre Dila. Ele trabalhou com cordel e xilogravura durante 50 anos. Há nove, sofreu um acidente vascular cerebral.


Ele passou a ter dificuldades em realizar algumas atividades sozinho depois do AVC. Para ele, andar e falar tornaram-se ações difíceis de realizar. Mas, entre poucas palavras que conseguia pronunciar, ele revelou em entrevista ao G1: "Me orgulho de ter feito mais de 200 cordéis".


Na década de 50, o artista tinha uma gráfica na própria casa. No local, ele produzia os próprios cordéis e xilogravuras. "Na época em que meu pai trabalhava ativamente com cordéis, o cordel era o jornal 'da matutada'. Era por meio dele que as pessoas ficavam sabendo dos acontecimentos diários", lembra Valdez Soares.


"Hoje temos a televisão e a internet como meio de comunicação, mas o cordel tem papel fundamental na nossa história e cultura", disse o representante comercial Valdez Soares, filho do consagrado.


A obra mais vendida dele foi "O Sonho de um romeiro com o padre Cícero Romão", de acordo com o filho do artista. "Este cordel conta a história de um romeiro que estava viajando para o Juazeiro [do Norte] e adormeceu à sombra de uma árvore. No local, ele acabou sonhando com o padre Cícero profetizando os anos vindouros. A história foi toda do imaginário do meu pai", explicou Valdez.


Foi em Caruaru que ele constituiu família. Morou no município por mais de 60 anos e foi casado por mais de 50 com Valdecila Soares, que morreu há três anos. O casal teve seis filhos, mas nenhum herdou o talento do pai. "Desenvolver esta arte foi um dom dele. O engraçado é que nenhum dos filhos herdou o talento da xilogravura. No cordel, sou o único que ainda tenta fazer alguma coisa. Mas nunca como ele", afirmou Valdez.


FONTE: G1

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