Publicada em 05/01/2020 às 08h05.
Fumantes e ex-fumantes sentem dor com mais intensidade
Um novo estudo britânico aponta que quem fuma ou já fumou tende a sentir mais dores, comparativamente a quem nunca o fez.

Imagem: Reprodução


O novo estudo baseia-se na análise dos dados de mais de 220 mil pessoas realizada pela University College London (UCL), no Reino Unido. Os investigadores afirmam ainda não terem entendido totalmente o motivo, mas pode dever-se ao fato de que o cigarro provoca mudanças permanentes no corpo humano.

 

Os cientistas analisaram dados de um conjunto de experiências online no BBC Lab UK Study, no qual foram analisados indivíduos entre 2009 e 2013.


Estes foram categorizados em três categorias: os que jamais fumaram, os que fumam diariamente e os que já fumaram, mas conseguiram abandonar o vício.


De seguida, os voluntários foram questionado sobre a quantidade de dor que sentiam e a descrição foi numericamente convertida numa escala de zero a 100. Pontuações mais elevadas significavam mais dor.


Os fumadores e ex-fumadores obtiveram entre um a dois pontos a mais do que aqueles que nunca fumaram, mostrou o estudo publicado no periódico científico Addictive Behaviors.


"A principal descoberta é que os ex-fumadores ainda sentem o efeito da dor elevada", disse uma das investigadoras da UCL, Olga Perski, em entrevista à BBC.


E acrescentou: "É um conjunto de dados muito grande. Temos uma boa amostra para que possamos estar bastante confiantes de que algo está a acontecer”.


"Mas ainda não podemos dizer se isso é clinicamente significativo."


Perski revelou ainda que descoberta mais surpreendente foi a de que os níveis mais elevados de dor foram registrados nas faixas etárias mais jovens (entre 16 e 34 anos).


O motivo


Não há uma explicação definitiva. Uma das hipóteses é a de que alguns dos milhares de produtos químicos contidos no fumo do tabaco possam causar danos permanentes nos tecidos, resultando em dor.


Uma outra é que fumar pode ter um efeito duradouro nos sistemas hormonais do corpo.


Essa possibilidade concentra-se especificamente no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (eixo HPA), que está envolvido no modo como reagimos à dor. Se o eixo HPA estiver desequilibrado, isso pode levar as pessoas a sentirem mais dor.


Todavia, como aponta a BBC, permanece a possibilidade de que fumar seja um sintoma, não a causa. Por exemplo, estudos associaram o traço de personalidade neurótico a uma dor mais intensa e a um maior risco de fumar.


Assim, pode ser que, em média, o tipo de pessoa com maior probabilidade de relatar ter mais dor também seja o tipo de pessoa com maior probabilidade de começar a fumar.


"Esta é certamente uma questão que necessita de ser investigada", concluiu Perski.


FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO 

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