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Uma segunda onda pode fazer a nuvem de gafanhotos que viaja pela Argentina repetir o que ocorreu há 74 anos, entrar no Brasil e causar prejuízos à agricultura. O alerta é de especialistas brasileiros, que apontam semelhanças entre o avanço da praga no país vizinho, neste ano, com a crise ocorrida em setembro de 1946.
Na segunda metade dos anos 1940, sucessivas nuvens causaram problemas ao sul do Brasil. Em 1946, segundo o entomologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Jerson Guedes, os insetos teriam começado a se disseminar na região desértica e árida do Chaco, dividida por Argentina, Bolívia e Paraguai, e rumado para o sul.
Em julho daquele ano, a praga foi localizada nas províncias de Corrientes e Santa Fé - exatamente como no começo deste mês. E, em meados de setembro, cruzou a fronteira com o Brasil e Uruguai pelo Rio Grande do Sul, chegando a São Paulo em novembro.
A atenção dos pesquisadores para o que ocorrerá nos próximos meses é explicada pela capacidade de reprodução das fêmeas. De acordo com o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa), ao encontrar condições propícias, como solo arenoso e clima seco, os gafanhotos podem botar entre 80 a 120 ovos por dia.
O especialista destaca que a forte oscilação da temperatura em um único dia ou mesmo em diferentes semanas pode favorecer o sobrevoo dos gafanhotos quando os termômetros marcarem acima de 15ºC.
FONTE: GLOBO RURAL.