Publicada em 18/07/2020 às 09h23.
Ataque põe força do Twitter em xeque
Diversas contas de celebridades, políticos e empresários foram invadidas.

Imagem: Reuters 


Anteontem, o Twitter sofreu a pior falha de segurança de sua história - um problema que permitiu que criminosos tivessem acesso a contas de celebridades, políticos e empresários. A empresa ainda tenta entender o que causou a invasão, mas é certo até aqui que nenhuma das vítimas poderia ter evitado o sequestro de suas contas.


Com poucos recursos de defesa, o ataque coloca em xeque uma das principais forças da rede social nos últimos anos: ser um canal de comunicação direto e oficial de governos, chefes de Estado, empresários e grandes empresas.


Na noite da última quarta-feira, 15, após uma instabilidade que durou horas, a empresa afirmou que a porta de entrada para o ataque foram seus funcionários. "Detectamos o que acreditamos ser um ataque coordenado de engenharia social por pessoas que miraram com sucesso em alguns de nossos funcionários com acesso a sistemas internos e ferramentas", declarou a rede social.


O site americano Vice foi além e afirma que hackers teriam subornado os funcionários da empresa para ter acesso aos sistemas internos que dá acesso a todas as contas do serviço.


É uma função conhecida como "Modo Deus" (God?s Mode, em inglês). Um ataque feito dessa forma não pode ser evitado nem pelas práticas de segurança recomendadas aos usuários, como uso autenticação de dois fatores, senhas complexas e conexão apenas por redes privadas.


"O ataque ao Twitter expõe uma fragilidade que a segurança da informação vive às voltas para resolver: o componente humano", diz Carlos Affonso Souza, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio). "Você pode ter o mais sofisticado sistema de segurança, mas ele jamais será completo se ele não levar em consideração o fator humano."


Segundo especialistas, este não foi um ataque trivial. "É algo direcionado, que exige tempo, investimento e planejamento", explica Alexandre Bonatti, diretor de engenharia da empresa de segurança Fortinet Brasil.


Bonatti explica que, nesses casos, os criminosos precisam inicialmente realizar uma pesquisa sobre quais funcionários têm os acessos ilimitados e quais desses teriam os perfis mais suscetíveis para serem enganados.


Aqueles que, por exemplo, trabalham de perto com a área de segurança e tecnologia não estariam entre os alvos preferenciais. Assim, é improvável, portanto, que os criminosos teriam mirado todos os funcionários do Twitter e chegaram por acidente a quem tem as credenciais necessárias.


O sistema de amplo acesso permite que a empresa, por exemplo, recupere contas de usuários. Sem ele, seria impossível para a rede social reativar uma conta que teve seu e-mail de recuperação afetado ou que foi atacada de outra forma.


"Por um lado, essa ferramenta de supervisão geral tem um impacto muito grande. Mas por outro, ela é útil para os usuários comuns. É preciso que ela tenha um processo de segurança mais avançado", diz Jéferson Campos Nobre, professor da UFRGS.


FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO 

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