Publicada em 21/07/2020 às 08h28.
Clientes se dizem seguros para voltar a frequentar bares e restaurantes
A reabertura do setor alimentício foi iniciada na última segunda-feira (20).


Movimentação era fraca em restaurante do Recife Antigo. Foto: Leandro de Santana/Esp. DP


Após quatro meses de portas fechadas, bares e restaurantes voltaram a funcionar nesta segunda-feira (20), na Região Metropolitana do Recife e em 72 cidades da Zona da Mata. O Diario esteve presente em alguns locais da capital e só avistou grande movimentação em pontos esporádicos. A maioria dos estabelecimentos estava praticamente vazio. Todos, no entanto, seguiam as medidas sanitárias rígidas determinadas pelo governo de Pernambuco. Os clientes ouvidos pela reportagem diziam se sentir seguros para frequentar, mas os gerentes esperavam um movimento maior, dentro das possibilidades.


Para a empreendedora Amanda Ferreira, que almoçava em um restaurante na Avenida Rio Branco, os estabelecimentos estão se esforçando para seguir as regras do governo. “As mesas estão um pouco mais afastadas, eu também me previno com máscara e álcool em gel na bolsa”, relata ela, ponderando que descarta frequentar bares por neste momento. “Não está na minha programação. Acho supérfluo por enquanto, vou esperar mais”, acrescenta.


O motoboy Roberto Martins, que trabalha no Recife Antigo, e estava sentindo falta de ter um lugar para comer no intervalo. “Me sinto mais confiante de estar dentro de um restaurante do que em um ônibus. O dono pode controlar o entra e sai de pessoas, coisa que é impossível de controlar no transporte público. E se eu vejo que o estabelecimento não está adequado às normas, só me retirar”, aponta.


Em um momento desses, conhecer o local faz a diferença. Esse foi o motivo que fez a assistente social Shirley Rodrigues sair para almoçar com o marido em um restaurante do Espinheiro, na Zona Norte. “A escolha tem que ser bem-feita. Eu procurei, nas redes sociais, saber como esse espaço estava trabalhando. É um dos meus favoritos e, como sabia que estavam tomando todas as medidas de segurança, vim. Me senti acolhida e segura para fazer minha refeição”, relata.


Na Zona Sul do Recife, à noite, a reportagem só avistou grande movimentação em lanchonetes. Restaurantes e bares estavam abertos, mas o público era quase inexistente, tal como ocorreu à tarde, em estabelecimentos do Recife Antigo e da Zona Norte.


Decepção


Apesar do público reconhecer o esforço sanitário dos restaurantes, o momento é visto com cautela por empresários. Dono de um self service no Recife Antigo, Ricardo Carvalheira Jr se disse decepcionado com a baixa procura. “Reduzimos em torno de 80% do nosso buffet. Esperávamos pelo menos umas 30 pessoas, mas até a tarde só apareceram quatro”, lamenta. 



A assistente social Shirley Rodrigues só foi ao um restaurante depois de se certificar dos cuidados que eles tomaram. (Foto: Leandro de Santana/Esp. DP.)


Na porta de entrada do restaurante de Ricardo, estão disponíveis álcool em gel e luvas para os frequentadores. As mesas estão espaçadas. O salão, que antes tinha 150 espaços, agora há 75. “Reduzimos o buffet em 80% também. Estamos resistindo como pode. Poucas empresas voltaram a funcionar no bairro. E também houve um terrorismo em cima do setor, pintando os restaurantes como vilões”, discorre.


Administrador de um restaurante na Rio Branco, o gerente Dorgival Hermínio estava menos decepcionado. “Para o primeiro dia foi um movimento normal. Até as pessoas se adaptarem a voltar a frequentar esses espaços, lidando com novas realidades de higiene, é normal que isso aconteça”, opina. O estabelecimento dele reduziu a capacidade de 250 para 125 e, além das determinações estaduais, adotou um tapete sanitizante na entrada. “Ainda é cedo para tirar conclusões”, salienta.


Dicas


Para o infectologista Bruno Ishigami, o importante é tentar manter a calma e evitar sentimento de tensão durante a ida a um restaurante. “Não é para ficar apreensivo, morrendo de medo. Se for assim, é melhor nem sair de casa. Se você decide ir, tente não ficar tenso e tomar cuidados gerais como de costume”, alerta. 


Quando for a um bar ou restaurante, deve ser observado se os funcionários estão paramentados com equipamentos de proteção individual (EPIs). “Uso de máscara pelos funcionários da casa, distanciamento de 2 metros entre as mesas, ver se tem ponto de álcool e se há circulação de ar no ambiente. O ideal é que seja um espaço aberto”, explica. 


No momento de comer, deve-se tirar a máscara e guardar em um saco à parte. O ideal é não voltar a utilizá-la e pegar uma nova quando terminar de se alimentar. “Comer em bandejão (refeitório) eu acho um pouco arriscado. Mas se for inevitável, tente pegar a comida e levar para outro espaço, para não comer naquele ambiente aglomerado”, pontua.



Bar praticamente vazio em Boa Viagem na noite desta segunda (20). (Foto: Leandro de Santana/Esp. DP.)


Fiscalização


Também nesta segunda, a Prefeitura do Recife fiscalizou 28 bares e restaurantes nas zonas Norte e Sul da cidade, além de uma academia, para verificar se as diretrizes estabelecidas pelo governo estavam sendo seguidas à risca. Todos os estabelecimentos visitados estavam cumprindo as determinações do distanciamento entre os clientes e o fornecimento de álcool 70% para o público logo na entrada e também em diversas áreas do lugar. Alguns empresários contrataram serviço de sanitização para as áreas abertas e calçadas do estabelecimento. 


Só um self-service foi encontrado ainda sem o padrão das coberturas de proteção para a mesa de exposição de comidas, mas não iria abrir para o público, por enquanto. “É importante observar a norma técnica n° 47 emitida pela Anvisa a respeito dos sanitizantes que podem e devem ser usados para a desinfecção de superfícies e objetos. É preciso ter cuidado na diluição da água sanitária, por exemplo, para que o produto não perca o efeito e crie apenas uma falsa ilusão de o local estar desinfectado“, conta a gerente de Vigilância Sanitária do Recife, Daniele Feitosa.


Além do distanciamento de 2 metros entre as mesas e uso obrigatório de EPIs pelos funcionários, os estabelecimentos só podem funcionar até as 20h. Os clientes também só entram se estiverem de máscara. Apresentações também estão vetadas e, para garantir o cumprimento dessa determinação, também está sendo fiscalizado o som ambiente, que não pode ultrapassar os 35 decibéis. 


Caso aviste alguma irregularidade, o cidadão pode denunciar. Para a Vigilância Sanitária, no telefone (081) 3355-1878; pelos e-mails do Procon (procon@recife.pe.gov.br) e da Dircon - centrooestedircon@gmail.com, suldircon@gmail.com ou nortedircon@gmail.com, de acordo com a localização do estabelecimento -; e pela Central de Fiscalização da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, no 0800-720-4444.

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