Publicada em 16/03/2021 às 14h07.
Polícia Civil prende grupo suspeito de aplicar golpes em venda de iPhone pela internet
Esquema teria faturado entre R$ 700 mil e R$ 1,2 milhão.

Delegado Diogo Bem deu detalhes da operação - Foto: - Foto : Alexandre Aroeira/Folha de Pernambuco


A Polícia Civil realizou, nesta terça-feira (16), operação contra um grupo suspeito de aplicar golpes pela internet a partir de anúncios verdadeiros de venda de celular. Batizada de “Ilusionista”, a ação cumpriu 17 mandados de prisão, seis deles destinados a pessoas que já se encontram no sistema prisional.

De acordo com a polícia, o grupo é acusado de praticar crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e receptação. O esquema estava sendo investigado desde setembro de 2019 e os golpes foram aplicados de duas formas.

No primeiro momento, os estelionatários entravam em contato com pessoas que anunciavam a venda de um aparelho celular em sites. Para passar confiança, eles depositavam parte do valor na conta do vendedor antes mesmo de finalizar a compra. Então, marcavam um local de encontro para a entrega do aparelho.

Era nesse momento, conforme a polícia, que o golpe era concretizado. O estelionatário afirmava ter feito a transferência e o dono do celular, acreditando se tratar apenas de uma demora na confirmação, já que havia recebido um valor antecipado, entregava o aparelho.

Segundo o delegado Diogo Bem, titular da delegacia do Ibura e responsável pela investigação, o líder do esquema, identificado como D.M.O, de 42 anos, coordenava o grupo de dentro do presídio Frei Damião, localizado no bairro do Sancho, no Recife. “Ele tem uma ficha criminal de impressionar até a polícia, de tantos estelionatos que ele já responde. Tem uma facilidade muito grande de manipular e enganar as pessoas e aplica esse golpe diariamente”, disse.

Na segunda fase do esquema, explica o delegado, o grupo agia clonando anúncios reais de venda online. Com os dados obtidos, eles conseguiam se passar tanto pelo vendedor quanto pelo comprador interessado. No momento em que a compra era fechada, a transferência caía na conta bancária dos golpistas.

“Eles clonavam o anúncio verdadeiro. Nesse caso, o comprador e o vendedor são vítimas. Ao invés de o comprador estar pagando ao dono, ele acaba pagando ao golpista”, esclarece Diogo Bem. Ao todo, a operação policial identificou 84 vítimas do golpe, que contou com a participação de ao menos 35 pessoas envolvidas e 10 empresas que atuam na Região Metropolitana e revendiam os aparelhos. O esquema também possuía um braço internacional, com revenda no Peru.

De acordo com a polícia, o grupo só aplicava golpes em vendas de aparelhos iPhone, da Apple, nos modelos de última geração, com maior valor aquisitivo. Eles teriam faturado entre R$ 700 mil e R$ 1,2 milhão com o esquema.

O grupo contava com divisão de tarefas, com núcleos financeiros e de receptação, por exemplo. Segundo o delegado, as pessoas envolvidas no “setor financeiro” (que emprestavam dados bancários, por exemplo) tinham ligação com os presidiários que fazem parte da quadrilha. Todos os presos serão transferidos para o presídio de Itaquitinga, na Zona da Mata Norte de Pernambuco.

A operação desta terça (16) cumpriu 17 mandados de prisão e 32 de busca e apreensão no Recife, Goiana, Rio Formoso, Cabo e Paulista. Na semana passada, 22 pessoas ligadas ao esquema já haviam sido presas.

O delegado reforça o pedido para que as pessoas fiquem atentas a todos os detalhes durante uma transação online. “Não tem nada de incomum nesse golpe que a gente já não conheça. Mas as pessoas continuam caindo”, frisou.



FONTE: FOLHAPE.COM.BR

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