
Foto: Isac Nóbrega/PR
O
Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI) decidiu
incluir a Eletrobras, os Correios e a Empresa Brasil de Comunicação
(EBC) no Plano Nacional de Desestatização (PND). A decisão foi tomada na
15ª reunião do órgão na tarde de hoje (16), em encontro que teve a
participação do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia,
Paulo Guedes.
Em relação a Eletrobras e à EBC, o Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) iniciará os estudos
técnicos. Quanto aos Correios, o CPPI concluiu os primeiros estudos, que
analisaram modelos de desestatização em outros países e incluiu a
empresa no PND, onde será iniciada a segunda fase dos estudos.
No
caso da Eletrobras, foi divulgado um cronograma, que prevê a
contratação dos estudos até abril, a aprovação da medida provisória que
autoriza a privatização até junho e a elaboração dos estudos até julho. O
cronograma segue com a análise do Tribunal de Contas da União (TCU) até
novembro, o roadshow (viagens internacionais para divulgar a
privatização) até dezembro e a conclusão da privatização até fevereiro
de 2022.
Segundo o Ministério de Minas e Energia e o CPPI, a
Eletrobras perdeu capacidade de investimento nos últimos anos e tem
demandas que não podem ser supridas pelo governo federal. Pela proposta,
as ações da empresa serão pulverizadas, com nenhum sócio detendo mais
de 10% do capital votante. A União, no entanto, terá uma golden share,
ação especial que permite veto a decisões da maioria dos acionistas.
Correios
Sobre
a privatização dos Correios, o CPPI optou pela venda total da empresa,
em vez do fatiamento. O conselho descartou a venda minoritária do
controle da União e optou por dois modelos: venda majoritária (em que o
Estado continua como acionista minoritário) ou venda de 100% das ações.
Segundo o Ministério das Comunicações e o CPPI, a segunda fase dos
estudos será implementada ao longo deste ano e detalhará o modelo a ser
adotado para a desestatização do setor postal.
A venda dos
Correios depende de aprovação pelo Congresso do projeto de lei que
regulamenta a abertura do mercado postal à iniciativa privada. O
Ministério das Comunicações apresentou uma lista de etapas, mas sem
especificar datas. Segundo o itinerário, estão previstos debates com a
sociedade e com investidores, debates com empregados e a aprovação pelo
Tribunal de Contas da União (TCU) sobre os aspectos da modelagem e os
documentos jurídicos.
EBC
No
caso da EBC, o Ministério das Comunicações e o PPI divulgaram que a
empresa recebeu, em 2020, R$ 389,1 milhões por ano da Contribuição para o
Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP) e que a própria empresa
arrecadou R$ 65,8 milhões por ano em receitas próprias, como a venda de
serviços e receitas financeiras. Com as despesas totalizando R$ 543,4
milhões no ano passado, o Tesouro Nacional repassou R$ 88,5 milhões à
empresa no ano passado, de um total de R$ 463 milhões autorizados pelo
Orçamento Geral da União.
Assim, como no caso da Eletrobras, o
BNDES iniciará os estudos técnicos para definir o melhor modelo de
desestatização da empresa. O CPPI e o Ministério das Comunicações não
divulgaram um cronograma, apenas informaram que a desestatização da EBC
geraria economia de R$ 400 milhões por ano e que o PND “avaliará
alternativas mais eficientes de execução da política pública [de
comunicação], sem necessariamente o uso de uma empresa estatal”.
Projetos
O
CPPI também divulgou a data de 14 leilões de concessão de estradas,
portos, aeroportos, ferrovias, óleo e gás, mineração e concessões de
lixo urbano e saneamento. Em abril, estão previstos os leilões de 22
aeroportos regionais em três blocos; da Ferrovia de Integração
Oeste–Leste (na Bahia); da concessão da BR-153 em Goiás e no Tocantins; e
de quatro terminais portuários em Itaqui (MA) e um em Pelotas (RS).
FONTE: DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR