
Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Utilizado para o mercado se planejar diante da antecipação dos movimentos de consumo das famílias do Estado, o índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) pernambucanas apresentou crescimento em março, atingindo os 70,6 pontos ante 69,0 de fevereiro e 87,3 do mesmo período do ano passado. O indicador mede a avaliação dos consumidores sobre aspectos da condição de consumo, como a capacidade de consumo atual e de curto prazo, nível de renda doméstica, segurança no emprego e qualidade de consumo, presente e futuro. Março é o quinto mês consecutivo de crescimento do índice.
“O aumento do índice em março foi uma surpresa, mas é bom a gente sempre destacar que essa pesquisa é aplicada nos 10 últimos dias do mês anterior, então a Intenção de Consumo das Famílias de março foi aplicada nos 10 últimos dias de fevereiro, com isso, não abrangeu a questão da ponderação das famílias em relação às restrições da Covid-19. A eminência desse colapso foi mais na primeira semana de março para cá. Se a gente tivesse tido algumas medidas de restrição dentro dessa pesquisa, as famílias novamente colocariam um comportamento bem mais conservador, que puxaria esse consumo pra baixo”, explica o economista da Fecomércio-PE, Rafael Ramos.
Apesar do índice positivo em março, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) segue em um patamar negativo em Pernambuco, abaixo dos 100 pontos, desde agosto de 2015, com a crise econômica. “Isso acontece porque a gente ainda não conseguiu recuperar a capacidade de investimento e, consequentemente, a geração de emprego, principalmente formal. Esse índice só vai voltar ao patamar positivo em 2021 se a gente conseguir acelerar a questão do plano de vacinação, porque vamos ter pelo menos condição de ter uma previsibilidade do setor produtivo mais fácil, possibilitando novos investimentos, gerando empregos e renda”, acrescenta o economista.
Com base na análise dos indicadores, o nível de consumo atual foi o único que apresentou queda em março, refletindo a incerteza do pagamento do auxílio emergencial em 2021, a alta do desemprego, restrição orçamentária e endividamento elevado.
O mercado de trabalho de Pernambuco, fator determinante para o consumo das famílias, apresentou piora com a pandemia da Covid-19. A taxa de desocupação trimestral pernambucana saiu de 14,0% para 19,0% entre o último trimestre de 2019 e 2020. O percentual de 2020 equivale a 749 mil pessoas desocupados, alta de 27,7% em comparação com o mesmo período de 2019. Com a redução do número de empregados, a massa de rendimento real pernambucana caiu -11,9%, trazendo implicações negativas para o desempenho dos setores e consequentemente, da arrecadação pública.
Para abril, a expectativa é de queda do índice, visto que, novas restrições foram decretadas no mês de março em Pernambuco. “O esperado é que o Índice de Consumo das Famílias em abril venha com uma variação negativa, ou seja, mostre redução, justamente porque as famílias vão estar absorvendo a questão das medidas restritivas. Medidas restritivas geralmente trazem impacto negativo para a questão de renda e orçamento”, complementa Rafael Ramos.
FONTE: FOLHA PE.