
Na
primeira avaliação formal de gastos públicos feita neste ano, o
Ministério da Economia concluiu que as contas de 2021 estão estourando o
limite do teto de gastos em aproximadamente R$ 17,6 bilhões.
As
despesas até fevereiro e a projeção do valor previsto até o encerramento
do ano indicam que o governo precisará cortar gastos para ajustar as
contas e não desrespeitar a regra fiscal.
O teto de gastos limita
o crescimento de despesas públicas à variação da inflação, com algumas
exceções. A regra foi criada em 2016 com o objetivo de travar a
trajetória de alta das despesas públicas.
Como o Orçamento de
2021 ainda não foi aprovado pelo Congresso, a análise da pasta compara
as projeções atuais com os valores previstos pelo PLOA (Projeto de Lei
Orçamentária Anual), enviado ao Legislativo em agosto do ano passado.
O
texto do PLOA trazia margem zero em relação ao teto. Isso significa que
qualquer ampliação nas previsões de gastos sujeitos a essa norma
levaria a um desenquadramento da regra.
De acordo com um
integrante da pasta, a pressão sobre o teto foi influenciada,
principalmente, pelo reajuste do salário mínimo e a variação do INPC
(Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que impactam custos do
governo com benefícios do INSS, seguro desemprego, abono salarial e
outros benefícios assistenciais.
Agora, no relatório bimestral de
avaliação de receitas e despesas, o Ministério da Economia estima, por
exemplo, que haverá R$ 8,5 bilhões a mais de gastos com a conta da
Previdência.
Um descompasso nas regras fiscais ampliou a pressão.
Isso porque o ajuste no limite do teto em 2021 levou em conta a
inflação apurada até junho do ano passado, que ficou em nível baixo. O
salário mínimo e benefícios previdenciários, por sua vez, foram
ajustados com base em um índice de preços apurado em dezembro, quando a
inflação já havia acelerado. Isso fará com que os gastos cresçam mais do
que o teto.
Em dezembro de 2020, a Folha mostrou que técnicos do
governo já apresentavam preocupação com o teto de gastos e previam que o
Orçamento de 2021 teria de ser cortado em até R$ 20 bilhões para que a
regra não fosse desrespeitada.
Para se adequar
à norma, o governo não precisa cortar despesas imediatamente. O ajuste
pode ser feito gradualmente ao longo do ano.
Se os limites estão estourados em relação ao teto, a avaliação da pasta mostra que a meta fiscal ganhou uma folga.
A
meta fiscal é o esforço que o governo promete fazer para evitar o
crescimento da dívida pública. O valor estabelecido corresponde à
diferença entre as receitas e despesas previstas pelo governo para o
ano, exceto o gasto com juros.
Esse compromisso para 2021 foi
estipulado em um déficit de R$ 247,1 bilhões. Ao recalcular as projeções
para o ano, o ministério agora estima que foi aberta uma margem de R$
20,9 bilhões em relação à meta.
A abertura se deve a uma
reestimativa das receitas líquidas, que devem ficar R$ 61,8 bilhões
acima do previsto. As despesas, por sua vez, devem crescer em menor
intensidade, uma elevação de R$ 54,5 bilhões.
Além disso, o PLOA, usado como base de comparação, tinha meta mais apertada, de déficit de R$ 233,6 bilhões.
Um
técnico da pasta afirma que essa abertura foi motivada pela revisão dos
parâmetros econômicos para o ano, como inflação, câmbio e preço do
petróleo.
Como consequência das duas contas, o ministério afirma
que as projeções indicam a possibilidade de ampliação de gastos nessa
folga de R$ 20,9 bilhões em relação à meta, ao mesmo tempo em que é
necessário ajustar as despesas em R$ 17,6 bilhões para que o teto de
gastos seja respeitado.
A pasta pondera que, como o Orçamento
ainda não foi aprovado pelo Congresso, no momento não é possível fazer
as movimentações nas contas.
FONTE: FOLHAPE.COM.BR