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Arquivos pessoais e site da Prefeitura de Pesqueira.
Junho chegou sem festa porque nada voltou ao normal! Nem poderia, há vacina, mas ainda não é para todos. A pandemia do Coronavírus apresenta uma similaridade com um mergulho de cabeça no Armagedom. Lá dentro tem um lamaçal escuro, fétido e viscoso que nos impede de nadar e emergir.
É um pesadelo dos quais o despertar é sempre adiado e nos falta o ar e o chão, enquanto uma sucessão de cenas aterrorizantes passam na mente e assustam a ponto de fazer o coração bater forte no peito, saltar boca afora é cair bem debaixo da cama. Exagero? Nem tanto. Essa é uma boa metáfora para ilustrar o momento aflitivo em que nos encontramos.
O contágio da maldita Covid acelerou muito mais do que em 2020, uma doença que incapacita,apavora, mata e ao mesmo tempo ensina muito. Aqui estamos nós de novo, privados de nos encontrarmos com os festejos de junho.
Um mês com alguma alegria? Só que não. Na melhor das hipóteses, esta época será representada apenas pela fartura das comidas típicas, uma vez que recebemos a visita das chuvas desde março. Elas caíram abundantes e fez verdejar a Serra do Ororubá, por causa delas também os milharais espalhados por aí já tem pendão e boneca. Daqui a pouco haverá milho aos milhares na feira. Travei a língua!
Estaremos bem servidos na mesa e desprovidos de felicidade. Não haverá fogueiras que fazem arder os olhos e aquecem o coração, forró somente pra ouvir.
Desta vez teremos uma tarde de São João atípica, pois a impiedosa moléstia levou Minervino Osório ( nosso Minerva) e sua cavalaria andante não vai desfilar nas ruas de Pesqueira. A Busca da Lenha dos Xukuru foi cancelada e nós não mais ouviremos os tiros dos bacamarteiros ecoarem.
É dolorido demais guardar novamente as tradições dentro do armário e só tirá-las, quando a guerra acabar. Por enquanto elas ficarão por lá, numa gaveta perfumada e envoltas em papel de seda colorido, aquele de que é feito as bandeirolas que enchem os olhos de cor. Tristeza infinda que nos maltrata!
Por ora engoliremos o choro para seguirmos esperançosos de que essas nuvens negras vão se dissipar e um dia respiraremos aliviados. Ufa!!!
Por Andréa Galvão.