
Ministro da Educação / Reprodução do google.
O ministro da Educação,
Milton Ribeiro, afirmou nesta quarta-feira (9) que "abriu mão" de ver previamente as questões do Exame Nacional do
Ensino Médio (Enem) 2021, para evitar que isto
fosse interpretado como "censura".
A declaração foi dada em uma audiência na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. O ministro citou uma entrevista que deu recentemente em que foi questionado sobre a prova. De acordo com a publicação, ele havia afirmado que queria ter acesso às questões antes do exame chegar aos candidatos.
"Eu abri mão de acessar toda e qualquer interpretação que eventualmente alguém possa dar, de uma censura prévia, ou coisa do tipo. De maneira alguma eu terei acesso às questões do Enem”, afirma Milton Ribeiro.
Ribeiro
afirmou que consultou o corpo técnico do Inep, autarquia ligada ao MEC e
responsável pela elaboração do Enem, para verificar a possibilidade de ver a
prova, garantindo o sigilo.
A conclusão foi que o Inep tem
mecanismos para garantir que a prova avalie conhecimentos dos estudantes sem
que as questões estejam marcadas por o que ele chama de "ideologias".
"Eu falei com o corpo técnico do MEC, com meus assessores, para que eles estudassem a possibilidade, resguardando o sigilo das informações. Eles fizeram a avaliação, e após a nossa avaliação interna, entendo que hoje nós temos uma governança estabelecida pelo próprio Inep que será suficiente para que a prova avalie conhecimento dos candidatos, evitando que a seleção se baseie na visão de mundo de cada um deles", afirmou o ministro.
Em
entrevista na quinta (3) à CNN Brasil, Milton Ribeiro criticou questões de
edições anteriores do Enem. Ele citou uma pergunta sobre a diferença salarial entre os jogadores Neymar e Marta, que traz como pano
de fundo o debate sobre salários de homens e mulheres; e outra que aborda dialeto de gays e travestis, que pedia para o aluno reconhecer a característica
necessária para que o patrimônio linguístico de um grupo social possa ser
considerado dialeto. Nesta quarta, Ribeiro fez referência às citações.
"A prova do Enem
não é um certame que vai avaliar qual a visão que o aluno tem do mundo, da
economia. Não é este o objetivo. Para mim, a prova do Enem deve buscar avaliar
o conhecimento que o aluno tem e a condição diante de outros candidatos para
que ele possa acessar o ensino superior", declarou nesta quarta na Câmara.
"Quero deixar
claro, portanto, de maneira até antecipada, que orientei o Inep, no papel de
supervisão ministerial, para que a prova tenha caráter técnico sem viés
ideológico ou partidário de qualquer matiz", afirmou.
A deputada federal
Sâmia Bonfim (PSOL-SP), em sua intervenção dirigida ao ministro, afirmou que
"é muito grave que o senhor tenha cogitado pessoalmente ter acesso ao
conteúdo e formulação das questões do Enem. Isso se chama censura. Mesmo que o
senhor tenha aberto mão desse papel ridículo, [o senhor] designou uma comissão
do Ministério da Educação para intervir sobre o conteúdo".
"Isso é parte fundamental do Enem: a reflexão sobre a sociedade como ela é, uma visão crítica sobre a sociedade brasileira", complementou a parlamentar.
Em
2018, logo após sua eleição, o presidente Bolsonaro disse que gostaria de ter
conhecimento do conteúdo do Enem antes da realização e criticou a questão sobre
dialeto gay: "Quando a gente vai ver a tradução daquelas palavras, um
absurdo, um absurdo! Vai obrigar a molecada a se interessar por isso agora para
o Enem do ano que vem?".
Uma comissão criada em 2019 no governo para avaliar o conteúdo das questões sugeriu "não utilizar" 66 questões do Banco Nacional de Itens (BNI). Entre elas, 18 eram itens pré-testados e 48 eram itens novos.
FONTE: G1.