Dinheiro - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Devido
ao agravamento da pandemia da Covid-19, os rendimentos efetivos dos
trabalhadores sofreram quedas em todo o Brasil no primeiro trimestre de
2021. De acordo com estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), no Nordeste, a renda efetiva do trabalho
apresentou recuo de 7,05%, o maior índice de todo o País. No Brasil, a
queda foi de 2,2%. As informações foram baseadas na Pnad Contínua, do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As
regiões que dependem majoritariamente da agricultura e da indústria não
sofreram tanto impacto quanto às regiões que tem como o setor de serviço
um dos principais meios de geração de emprego e renda. “A composição
setorial do emprego afeta nesses casos. Por exemplo, no caso da região
menos afetada que foi o Centro-Oeste, o peso que a agricultura e o
agronegócio têm acaba influenciando nesse resultado, já que esses
setores continuaram crescendo na pandemia. Já o setor de serviço é o que
mais tem demorado a se recuperar, e alguns são muito importantes no
Nordeste, como comércio, transporte e turismo”, explica Sandro Sacchet,
técnico de planejamento e pesquisa do Ipea.
A segunda maior baixa
foi registrada no Norte (-3,85%), seguido por Sudeste (-1,46%) e Sul
(-0,97%). O Centro-Oeste teve o recuo menos intenso (-0,84%). O estudo
também informa que a crise sanitária elevou a proporção de domicílios
sem nenhuma renda do trabalho no Brasil. O percentual pulou de 25% no
primeiro trimestre de 2020 para 29,3% no mesmo período de 2021.
Segundo
a pesquisa, a faixa etária mais afetada pela piora da crise sanitária
foi a dos jovens adultos (25 a 39 anos), com queda de 7,73% nos
rendimentos efetivos entre janeiro e março. A renda dos trabalhadores
com 60 anos ou mais, por outro lado, cresceu 7,06%, influenciada
principalmente pela alta proporção de trabalhadores por conta própria
nessa faixa etária.
Ainda de acordo com Sandro Sacchet, o cenário
do segundo trimestre se assemelha com o período atual e a aceleração da
vacinação contra a Covid-19 é o principal meio para que o mercado de
trabalho se recupere. “A expectativa imediata para o próximo trimestre é
mais ou menos o que vimos nesse primeiro trimestre, justamente porque o
mercado de trabalho tem se recuperado de forma bastante lenta. A partir
do momento que a imunização avance, a gente pode observar uma
recuperação mais rápida do nível de ocupação e que se aproxime ao que a
gente tinha antes da pandemia”, complementa Sandro Sacchet.