
Primeira reunião foi realizada nesta quarta-feira (16) / Reprodução do Diário de Pernambuco.
Em uma iniciativa da
Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e do Sistema Brasileiro de Apoio
às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), foi lançado, nesta quarta-feira (16), o
programa “Fala Pernambuco”. O projeto consiste em uma série de reuniões
virtuais com o objetivo de identificar as principais necessidades de políticas
públicas e medidas legais de suporte ao setor produtivo estadual.
O presidente da Alepe, deputado Eriberto Medeiros (PP),
demonstrou bastante entusiasmo com o lançamento. “A partir desse processo,
vamos formar uma agenda legislativa de apoio aos pequenos empreendimentos, para
que a recuperação econômica do nosso estado ocorra da forma mais rápida e
sustentável que for possível”, declarou Eriberto Medeiros.
“Os pequenos negócios representam mais de 54% dos empregos
com carteira assinada. Com a situação delicada em função da pandemia,
precisamos proteger e reerguer essas atividades, que são o verdadeiro motor da
economia pernambucana”, acrescentou o presidente do Legislativo.
Para a consultora do Sebrae, Priscila Lapa, a parceria com a
Alepe é valiosa e necessária. “Primeiro para dar um tom de organização das
demandas, pois muitas vezes elas ficam dispersas por setores. A gente pode
organizar isso num formato de documento que ajudará a enxergar soluções e
encaminhamentos que fluirão com maior rapidez e eficiência”, afirmou.
Ao todo, serão realizados nove encontros às quartas-feiras,
até o mês de setembro. Três reuniões contemplarão ao Sertão, três ao Agreste,
duas à Zona da Mata e uma à Região Metropolitana do Recife. O encontro
inaugural desta quarta ouviu pequenos empresários do Sertão do Araripe. Serão
sistematizadas as demandas das entidades empresariais considerando indústria,
comércio, cultura/turismo, agronegócio, meio ambiente, saúde e educação.
No caso do Sertão do Araripe, região abordada no primeiro
encontro desta quarta, os destaques foram para a melhoria da logística local,
como recuperação de estradas, finalização da Ferrovia Transnordestina, regularização
do fornecimento de água e início das operações do Aeroporto Regional de
Araripina.
Esse ponto, inclusive, foi considerado um “gargalo” tanto
para a indústria e o comércio como para o turismo e o agronegócio da região.
“Temos uma série de propostas factíveis, que não tratam apenas de um município,
mas vão fortalecer todos eles”, afirmou o prefeito de Exu e vice-presidente do
Consórcio Intermunicipal do Sertão do Araripe Pernambucano (Cisap), Raimundo
Saraiva.
Sobre o Polo Gesseiro da região, foi cobrada uma revisão da
política tributária no intuito de conter a saída de escritórios e empresas para
outros estados. Para o agronegócio, foram propostas inspeções dentro dos
municípios, a criação de um Selo de Indicação Geográfica (SIG) e a inclusão de
itens regionais em programas de aquisição governamentais.
Além de demandas econômicas, os representantes do setor de
negócios do Araripe revelaram preocupação com a sustentabilidade ambiental no
manejo da caatinga. E pediram expansão e melhoria da estrutura nos serviços de
saúde e de educação. Uma das prioridades indicadas pelos participantes foi o
treinamento de professores para o ensino remoto e melhorias no acesso da
Internet nos dez municípios que compõem o Araripe.
O superintendente do Sebrae Pernambuco, Francisco Saboya,
elogiou a decisão da Alepe de eleger os pequenos negócios como foco da
iniciativa. “Todos sabem que o pequeno negócio não passa de uma nota de rodapé
nos planos nacionais de desenvolvimento. Isso a gente diz com toda a clareza e
muita dor”, lamentou.
A próxima região a receber o “Fala Pernambuco” será o Sertão
do São Francisco, em 30 de junho. No dia 7 de julho será a vez do Sertão
Central, incluindo Itaparica, Pajeú e Moxotó. Ao final de todas as escutas,
será redigido um documento com as principais sugestões para cada região que
será encaminhado aos governos federal e estadual.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.