
Reprodução do Arquivo Pessoal.
No São João da Pandemia
Não tem sanfona a tocar,
Não há fogueira queimando,
As ruas continuam vazias
É muita gente a lamentar.
Espalhou-se pelo mundo
Uma doença maldita
Roubou de nós a alegria,
De tristeza o povo grita!
Dor, morte e agonia.
Levou até Minervino Ozório
Mestre da cultura popular.
Esse ano não vai ter casório
Nem cavalaria de matuto simplório.
Porque no céu ele foi morar.
Meu Compadre Minerva
Pede a Deus autorização
E no teu alazão vem aqui passear.
Pesqueira está vestida de festa.
Fria e deserta, mas quer te homenagear.
Não vejo o brilho dos fogos,
No céu dessa noite a iluminar.
Que falta faz o calor dos corpos,
Dançando forró no terreiro
E a lua a testemunhar.
A lembrança insistente
Ao passado me transporta
E as lágrimas vão jorrar.
Hoje os sorrisos estão ausentes,
Porque não há o que comemorar.
Rogo a Deus por piedade
Tire o vírus dessa cidade
Que anda cabisbaixa e morta.
Dos festejos, morro de saudade,
Quero o meu São João de volta!
Por: Andréa Galvão.