A
Procuradoria-Geral da República pediu nesta sexta-feira (2) a abertura
de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o
presidente Jair Bolsonaro por prevaricação no caso da compra da vacina
Covaxin.
De acordo com o deputado Luis Miranda (DEM-DF), ele e o
irmão, o servidor Luis Ricardo Miranda, avisaram Bolsonaro em uma
reunião no dia 20 de março sobre suspeitas de irregularidades na compra
do imunizante. O inquérito buscará esclarecer se Bolsonaro prevaricou
diante da denúncia, ou seja, não tomou as medidas cabíveis.
Diante
das denúncia dos irmãos Miranda, o governo afirmou que Bolsonaro avisou
o então ministro Eduardo Pazuello sobre as suspeitas no dia 22 de
março. Só que Pazuello foi exonerado no dia seguinte, 23 de março. E o
contrato com a Covaxin só foi suspenso nesta semana, mais de 3 meses
depois da denúncia.
O pedido PGR ocorre após a ministra Rosa
Weber, do STF, cobrar uma posição da procuradoria sobre a notícia-crime
apresentada por três senadores ao STF pedindo a investigação de fatos
apurados pela CPI da Covid.
A PGR havia pedido para aguardar a
conclusão da CPI, mas a ministra afirmou que a apuração da comissão não
impede a atuação do Ministério Público Federal.
No pedido, o
vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, afirma
que é preciso esclarecer as circunstâncias do eventual aviso que teria
sido dado ao presidente para ver se de fato configura o crime de
prevaricação, se Bolsonaro teria mesmo que ter agido, já que o crime é
cometido por funcionários públicos. Outra questão levantada é sobre se
há indícios de que o delito teria sido cometido para satisfazer
interesse próprio.
“A despeito da du?vida acerca da titularidade
do dever descrito pelo tipo penal do crime de prevaricac?a?o e da
ause?ncia de indi?cios que possam preencher o respectivo elemento
subjetivo especi?fico, isto e?, a satisfac?a?o de interesses ou
sentimentos pro?prios dos apontados autores do fato , cumpre que se
esclarec?a o que foi feito apo?s o referido encontro em termos de
adoc?a?o de provide?ncias”, escreveu.
Medeiros quer os
depoimentos dos envolvidos, entre eles, o presidente e os irmãos
Miranda. O Supremo ainda discute se o presidente pode prestar depoimento
por escrito ou precisa ser presencial.
FONTE: G1.GLOBO.COM