Publicada em 07/07/2021 às 11h10.
Como o Crocs deixou de ser meme e se tornou um ícone fashion do mundo atual
No primeiro trimestre de 2021, a empresa faturou US$ 460,1 milhões (ou R$ 2,3 bilhões), um aumento de 63,6% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados do site oficial.

Imagem meramente ilustrativa / Reprodução do google.


Entre morrer e vestir um calçado da Crocs, a estilista inglesa Victoria Beckham prefere a primeira opção. Ou pelo menos, foi o que disse em abril, quando recebeu um presente do cantor Justin Bieber e fez um story no Instagram para agradecê-lo.


"Eu acho que preferia morrer, mas agradeço de qualquer maneira", afirmou a spice girl enquanto mostrava a segunda colaboração do músico com a marca, um crocs lilás decorado com ursinhos.


A estilista está longe de ser a primeira pessoa a debochar do item. Eleitos em 2010 pela revista Time como uma das 50 piores invenções da história, os sapatos da Crocs sempre renderam memes, comentários ácidos e reprovações fashionistas.


O que ninguém esperava, no entanto, é que após quase duas décadas de criação, a marca representasse não só uma potente tendência como também se tornasse líder de vendas no setor.


A demanda está mais forte do que nunca. É o que apontam pesquisas globais, como um estudo da Lyst que classifica um dos modelos da marca como o nono item de moda mais cobiçado de 2020.


No primeiro trimestre de 2021, a empresa faturou US$ 460,1 milhões (ou R$ 2,3 bilhões), um aumento de 63,6% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados do site oficial. Ainda comparando os dois anos, a Crocs aumentou o seu preço médio de revenda em 70%, como mostra um relatório da StockX.


O que chama atenção é que a empresa não abandonou seu estilo tradicional nem deixou de apostar em modelos bizarros. A realidade é exatamente o contrário.

 

Recentemente, por exemplo, a imagem de um crocs sustentado por um fino salto alto rendeu polêmica nas redes sociais. O item é uma colaboração da marca com a grife espanhola Balenciaga e será lançado na temporada primavera-verão de 2022.


"'Hoje você critica, amanhã você copia' é um bordão que costuma funcionar", diz a consultora de moda Juliana Lopes. "Esse mercado é cíclico justamente porque se baseia em mudanças de gosto. O cool de hoje é o cringe de amanhã."


Os crocs, que já foram alvo de inúmeras chacotas na internet - como no blog I Hate Crocs-, hoje têm mais de 2,1 bilhões de menções no TikTok, a rede jovenzinha do momento.


"São muitos os fatores que fazem alguém gostar de uma coisa. Questões culturais, familiares, educativas, geográficas", explica Lopes. "E, é claro, o tempo é o principal fator que move a moda."


Segundo a especialista, a pandemia tem um peso decisivo no boom da marca. O crescimento do home office neste período impulsionou o retorno do estilo "comfort wear", surgido no final do século 20, em meio à tendência antimoda dos anos de 1990, que se opunha aos exageros da década anterior -como maquiagem carregada e excesso de cores e brilho.


"Em videochamada, ninguém sabe o que tem da cintura para baixo", diz Katherine Sresnewsky, sócia da N.evsky, especializada no mercado de moda. "Eu estou em casa e é pandemia, então preciso de roupas confortáveis e que sejam bem fáceis de fazer assepsia."


Diante de tanto desconforto causado pela Covid-19, o "comfort wear" se estabeleceu como um tipo de necessidade de sobrevivência. E tecidos leves e aconchegantes dão um respiro às pessoas.


Os sapatos da Crocs são fabricados a partir de uma leve resina de célula fechada, a croslite, o que traz seu aspecto espumoso e antiderrapante. O modelo mais tradicional -e talvez o mais odiado entre os haters da empresa- é o Classic Clog, com design de barco e buracos na parte superior onde é possível colar adereços, os jibbitz.


Outras duas tendências rondam o boom da marca, a do "ugly shoes" (sapatos feios, em inglês), que tem vendido uma série de peças bizarras, e a do "kidcore", o estilo nostálgico que abusa de cores quentes e acessórios infantis retrô.


Fundada em 2002, a Crocs fez grande sucesso cinco anos depois e quase chegou à falência durante a crise de 2008. Seis anos depois, recuperou fôlego com uma reestruturação interna e, desde 2016, tem apostado em colaborações ousadas.


"O que nós acreditamos é a possibilidade variada de expressões", afirma Ricardo Sobral, representante da Crocs no Brasil. "Essas parcerias que temos com designers são muito autênticas. Surgem por um desejo em entender uma tendência ou algo do tipo."


FONTE: NOTÍCIA AO MINUTO.



 

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