
Em
meio ao surgimento de nomes de militares nas suspeitas da Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 sobre irregularidades nas
negociações de compra de vacinas, o presidente da CPI, Omar Aziz
(PSD-AM), afirmou que “membros do lado podre das Forças Armadas estão
envolvidos com falcatrua dentro do governo”.
“Olha, eu vou dizer
uma coisa: os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados
com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo,
fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças
Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo”, disse.
Parlamentares na CPI suspeitam de disputa por espaço nessas negociações
entre militares e o Centrão.
Aziz citou os nomes do ex-ministro
da Saúde general Eduardo Pazuelo, do ex-secretário-executivo da
pasta,coronel Elcio Franco e coronel Guerra. Este último é citado em
mensagens do cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo
Dominghetti, que acusa o ex-diretor do Departamento de de Logística
(DLOG) do ministério, Roberto Dias, de ter pedido propina para aprovar a
compra de vacinas. Na semana passada, Dominghetti afirmou à CPI que se
encontrou com o ex-diretor em um shopping de Brasília, em 25 de
fevereiro. Dias presta depoimento à CPI nesta quarta-feira (7).
Dominghetti
disse ter sido apresentado a Dias por intermédio de mais um militar: o
tenente-coronel Marcelo Blanco, que era assessor do DLOG até janeiro
deste ano, e também tinha a função de diretor substituto do
departamento.
De acordo com o cabo, na ocasião, ele tentou
negociar 400 milhões de doses de vaicna da AstraZeneca, a US$ 3,50 por
dose, e Dias teria pedido propina de US por dose para fechar negócio.
Nomes
de outros militares também surgem na apuração da CPI. O servidor do
Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, que falou ter sofrido
“pressões anormais” para agilizar a importação da vacina indiana
Covaxin, afirmou que as pressões vinham de seus superiores, e citou dois
militares: o tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de
Aquisições de Insumos Estratégicos para Saúde, e o coronel da reserva
Marcelo Bento Pires, ex-diretor de Programas.
O próprio depoente
desta quarta-feira (7), Roberto Dias, já foi sargento da Aeronáutica.
“Infelizmente, o que nós temos ouvido aqui nos relatos do depoente é que
geralmente tem alguém das Forças Armadas. Isso não é bom para o Brasil.
Não é bom”, disse Omar Aziz.
FONTE: DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR