
Evani Calado / Reprodução do NE10.
A pernambucana Evani Calado está na lista dos 253 atletas convocados para as Jogos Paralímpicos de Tóquio, que serão realizados
de 24 de agosto e 5 de setembro de 2021. A paratleta da modalidade de
bocha já é conhecida mundialmente porque conquistou a medalha de ouro na
categoria em 2016, nas Paralimpíadas do Rio. Atualmente Evani mora em São
Paulo, mas sua história começa na cidade de Garanhuns, no Agreste de
Pernambuco.
Evani nasceu na cidade
conhecida como Suíça Pernambucana, em 1989. Por um erro médico na hora do parto
ela teve paralisia cerebral, mas isso nunca foi um agente limitador diante da
sua determinação. Foi aos nove anos de idade que ela conseguiu ingressar na
primeira escola em São Paulo. Dois anos depois ela retornou para Garanhuns e
após três anos voltou para São Paulo.
Atualmente, sua relação com
o esporte é inspiração para atletas e paratletas de todo o mundo, tendo em
vista que Evani já conquistou diversas medalhas por seu desempenho e
profissionalismo. Além de sua representatividade no esporte, a atleta levanta a
bandeira da luta pela igualdade entre os gêneros no esporte paralímpico e usa
suas redes sociais para falar sobre inclusão e empoderamento.
Trajetória:
Foi em 2010 que a atleta
começou a praticar a modalidade bocha de forma profissional. Ela teve o
primeiro contato com o esporte ainda no colégio e depois, quando estava na
faculdade, cursando Publicidade e Propaganda. "Eu não tinha interesse no
esporte, eu só queria me formar. Hoje sou uma publicitária e antes eu tinha o
sonho de trabalhar em uma agência", disse.
Evani contou que quando era
mais nova não sabia que existia uma modalidade que ela poderia praticar, porque
sua deficiência é considerada severa, mas descobriu sua vocação e acabou se
interessando pela bocha. "Foi o esporte que me escolheu", afirmou. A
primeira convocação para um mundial foi conquistada em 2016, para uma competição
na China. "Na China eu tive um bom desempenho e foi quando abri as portas
para minha primeira paralimpíada, que foi no Rio, em 2016", contou Evani.
Nas paralimpíadas do Rio, a
atleta conquistou ouro na categoria dupla mista. Além da vitória no mundial, em
2017 Evani também conquistou ouro e prata na Copa América e ficou
em 3º lugar no campeonato Regional e 3º lugar no campeonato Brasileiro de
bocha. Em 2019, ganhou bronze em dupla no Open Mundial Canadá, ouro em
dupla na Copa América e prata no individual, prata no campeonato Regional,
ouro no campeonato Brasileiro individual e prata em dupla, Ouro no campeonato
Paulista individual.
Representatividade:
Nas redes sociais, Evani
compartilha seus desafios e sua preparação para o campeonato que começa em
agosto. Além dos treinos e dedicação pessoal, a atleta compartilha também parte
da sua luta, enquanto mulher, pela inclusão de outras mulheres na modalidade e
na prática de esportes paralímpicos de forma geral.
"No momento, são
poquíssimas mulheres que têm vaga na seleção para competir na modalidade de
bocha", disse a atleta. "A inclusão da mulher no esporte paralímpico
é muito importante para que a gente tenha igualdade de conquistas",
afirmou.
Evani contou ainda que, após
os Jogos Paralímpicos de Tóquio, será realizada uma divisão de gêneros dentro
da modalidade. Sendo assim, as equipes serão divididas entre feminino e
masculino, que não vão mais disputar entre si. "Isso é um ganho muito
grande para a modalidade, porque além de dar oportunidade para as mulheres,
isso vai dar oportunidade para que a gente consiga mais medalhas para o nosso
país também", disse.
Na contagem regressiva para o embarque em agosto, Evani leva consigo o desejo de voltar para casa com o tão sonhado ouro e a vontade de poder inspirar cada vez mais outras pessoas. A atleta vive um sonho e compartilha cada conquista na certeza de que as pessoas que admiram sua trajetória também estão na torcida.
FONTE: NE10.