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Pela primeira vez desde março de 2020, ainda no início da pandemia de Covid-19, há quase 16 meses, a taxa de ocupação de leitos de UTI para pacientes com coronavírus em Pernambuco na rede pública de saúde está abaixo de 60%.
De acordo com boletim da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) de segunda-feira (19), o Estado tem 1.538 vagas disponíveis na rede pública, das quais 58% (cerca de 893) estão ocupadas e as demais 645, livres.
A última vez que Pernambuco havia registrado a taxa de ocupação de UTIs abaixo dos 60% na rede pública foi em 22 de março de 2020, quando havia 51% dos leitos ocupados. Um dia depois, em 23 de março, a taxa subiu para 63%.
Durante quase quatro meses deste ano, entre 24 de fevereiro e 15 de junho, a ocupação dos leitos de terapia intensiva ficou acima dos 90%. Desde 12 de junho, quando chegou a ter 97% das vagas ocupadas, Pernambuco observa quedas consecutivas na taxa - até chegar aos 58% de segunda-feira.
Vale salientar que os percentuais representam a taxa de ocupação a partir do total de leitos disponíveis. Atualmente, Pernambuco conta com um total de 2.680 leitos para atendimento a casos suspeitos ou confirmados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), sendo 1.538 de UTI (com 58% de ocupação) e 1.142 de enfermaria (com 49% de ocupação).
O total de leitos disponíveis, no entanto, é dinâmico. Em 18 de junho deste ano, por exemplo, a rede pública chegou a contar com 3.073 leitos - sendo 1.812 de UTI e 1.261 de enfermaria. No início da pandemia, quando chegou a ter 51% dos leitos ocupados em 22 de março de 2020, o Estado tinha uma rede com 162 leitos - 125 de enfermaria e 37 de UTI.
Essa redução nos índices epidemiológicos do Estado permite a desmobilização dos leitos, que voltaram a atender outras doenças, o que também causou, por exemplo, o retorno das cirurgias eletivas, e avanços no Plano de Convivência com a Covid-19, como a flexibilização de horários de bares e restaurantese a volta da música ao vivo.
Especialistas destacam que, apesar da redução nos índices, a pandemia ainda não acabou e os cuidados sanitários não podem ser deixados de lado.
Na rede privada, Pernambuco tem atualmente, segundo a SES-PE, 387 leitos para casos de Srag, sendo 245 de terapia intensiva (57% ocupados) e 142 de enfermaria (29% ocupados).
As solicitações para leitos também apresentam queda, segundo dados do painel de acompanhamento da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag). Os números mais recentes, do domingo (18), indicam uma única solicitação para leito de terapia intensiva - no auge da segunda onda, o Estado registrou 468 solicitações, em 25 de maio de 2021, sendo 340 para UTI e 128 para enfermaria.
Taxa de transmissão indica controle:
A taxa de transmissão (Rt) do coronavírus se mantém abaixo de 1 em Pernambuco há cerca de 40 dias, de acordo com as estimativas mais recentes do grupo Covid-19 Analytics, formado por pesquisadores de diversas áreas da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro.
O Rt de Pernambuco, no último sábado (17), estava em 0,91, dentro de patamares considerados de controle da pandemia, mas um pouco mais elevado do que no início do mês, quando estava em 0,77 em 2 de julho.
A taxa de 0,91 indica que cada grupo de 100 pessoas contaminadas pode transmitir o coronavírus para outras 91, em uma progressão decrescente.
Essa taxa estima a velocidade de propagação de um vírus dentro de determinadas condições, expressando a aceleração, controle ou supressão do contágio. Quanto mais alto o valor, maior a velocidade de transmissão e maior o risco de uma possível sobrecarga no sistema de saúde.
Em março, quando os casos do novo coronavírus voltaram a acelerar em Pernambuco, o Rt do Estado passou de 1,2. Ou seja, cada grupo de 100 infectados tinha potencial para contaminar outras 120 pessoas, em uma progressão crescente.
FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO.