
Kelvin levou a primeira medalha para o Brasil como skatista / Reprodução do google.
Kelvin
Hoefler é o dono da primeira medalha do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio. O
skatista de 27 anos nascido e criado em Guarujá, no litoral de São Paulo,
conquistou a prata na final do skate street, disputada na madrugada deste
domingo (25) no Ariake Park Skateboarding. Essa foi a primeira prova de skate
na história dos Jogos Olímpicos.
Único
brasileiro na decisão, Kelvin somou 36,15 pontos depois de duas voltas e cinco
"tricks" — manobras. Já o ouro ficou com o japonês Yuto Horigome, com
37,18. Jagger Eaton (EUA), com 35,35, completou o pódio.
O medalhista fez um agradecimento especial a duas mulheres: a skatista Pâmela Rosa e a esposa, Ana Paula Negrão. Kelvin disse que a mulher sempre reforça as qualidades dele e que lembra destas palavras quando vai para uma manobra.
"Ela é minha coach, minha técnica, meu braço direito, esquerdo, perna, tudo. Ela que me ajuda sempre, me passa confiança. Sabe falar o que eu preciso escutar. Eu fico com isso na cabeça e vou muito confiante para a pista. Uma motivação a mais. Sem ela eu não teria acertado.”
Pâmela foi a outra mulher mencionada. O medalha de prata conversava com ela durante a final olímpica para trocar impressões sobre as manobras. "Ela sabe da técnica do skate, passou orientações muito boas. Sem ela ali, eu também não teria conseguido a medalha."
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Mas como as duas estavam junto com Kelvin a prata veio. "Difícil descrever. São muitos anos de luta", disse ele, antes de começar a chorar. "Isso representa o skate brasileiro, nossa garra, persistência. Não é só minha não. Muitos merecem no Brasil. Merecia ainda mais [que a prata]. É um começo de uma geração que esta por vim e amanhã tem mais", continuou.
Ele agradeceu à família e contou do início difícil. "Meu pai me levou para as pistas de skate no fim de semana. Ele era policial e era difícil conciliar, foi uma barra. Minha mãe me xingando, quebrando panela e prato. Muita dificuldade dentro de casa até. Chegar aqui e representar uma nação. Pressão muito grande. Medalha é alivio", afirmou.
Kelvin se classificou para a final na quarta colocação, e melhorou sua pontuação em aproximadamente 1,5 pontos quando a medalha estava em jogo. Já a lenda do skate Nyjah Huston (EUA) terminou na discreta sétima colocação, com 26,10, depois de errar todas as suas últimas quatro manobras. O brasileiro terminou a primeira volta com a melhor nota (8,98) e recebeu aplausos do público em dois momentos.
Na segunda, ele voltou a ser exaltado e celebrou o fim da passagem com os braços erguidos: 8,84. Em seguida, ele deu início às cinco manobras de direito. Na primeira recebeu 8,99, mas sofreu duas quedas em sequência. Irritado, deu um grito e jogou o skate contra o chão. Na quarta volta colocou a mão no chão e viu a nota despencar: 7.58.
Pressionado, fora da zona de medalhas e com direito a apenas mais uma apresentação, o brasileiro arriscou, acertou a manobra no corrimão e firmou 9.34. Quando encaixou a manobra final, Kelvin vibrou muito. Tirou o boné, bateu no peito e abriu o sorriso.
Com um total de 36.15, Kelvin teve que esperar a última manobra de Jagger Eaton, único que poderia tirar sua prata. O americano, no entanto, sofreu uma queda, e o brasileiro garantiu a primeira medalha do país em Tóquio, sendo abraçado pelo peruano Angelo Caro, que terminou em quinto e vibrou muito com a conquista sul-americana.
Kelvin estava emocionado ao deixar a área de competição. Quando perguntado sobre a medalha, ele olhou o objeto de tanto desejo e perguntou para organização se era mesmo de prata. Ela tem sim prata na composição e o material foi coletado de lixo eletrônico.
FONTE: UOL.