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É FAKE! / Reprodução do google.
Circula pelas redes sociais
uma mensagem que sugere que o coronavírus está seguindo o seu ciclo natural e
que a queda de mortes por Covid-19 no Brasil e o arrefecimento da pandemia
ocorrem sem que isso tenha ligação com a taxa de vacinação da população. É #FAKE.
Professor titular de saúde coletiva da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e médico de família e comunidade do Grupo Hospitalar Conceição, Airton Tetelbom Stein afirma que a informação de que o vírus segue um ciclo natural não é validada cientificamente.
Citando o livro "Epidemiologia", de Roberto Medronho, ele aponta que os surtos acabam nas seguintes situações:
Ele sustenta que, para responder à alegação contida na mensagem falsa, vários elementos devem ser considerados: a patogenecidade das variantes, a cobertura vacinal, os fatores de risco da população, determinantes sociais e a curva epidêmica no local. Ou seja, a situação é muito mais complexa do que apenas o "ciclo natural" do vírus.
A pesquisadora Ligia Kerr, integrante da comissão de epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e professora da Universidade Federal do Ceará, concorda. "O vírus não está seguindo um ciclo natural. Ele está seguindo o ciclo do que nós, como seres humanos, estamos permitindo que siga", diz.
A ideia de que a queda nas mortes não tem ligação com a taxa de vacinação também é desmentida por Kerr. "Isso é fake. Hoje, nós temos uma queda nos óbitos principalmente por causa da vacinação. E uma queda nos casos também", diz. "Se a gente não tomar uma providência, nós vamos seguir o rumo que os Estados Unidos estão seguindo. Eu estou aqui na Califórnia, que tem uma grande taxa de vacinação, e os casos e hospitalizações estão aumentando porque tem muita gente ainda que não quer e se recusa a tomar a vacina", diz.
Kerr, presidente do 11º Congresso Brasileiro de Epidemiologia, que acontecerá em novembro em plataforma virtual, afirma que o Brasil é um país que tradicionalmente toma a vacina, mas enfrenta o problema de falta de imunizante. E recomenda: "A gente tem que andar com todas essas ações ao mesmo tempo, vacinação, uso de máscara, distanciamento na medida do possível. Tem que ser tudo junto, senão, a gente corre o risco de passar pela mesma situação [dos EUA]."
A
especialista acrescenta ainda que o Brasil não tem feito o diagnóstico e
rastreamento dos casos, medida que ela afirma serem absolutamente fundamentais.
"Se a gente não fizer isso, não conseguiremos barrar a infecção."
Além disso, a pesquisadora alerta que, se tiver bolsões onde a doença posso replicar com facilidade, o vírus vai tentar escapar à nossa imunidade natural e à nossa imunidade vacinal. "Se você pegar os países pobres, a taxa de vacinação está em torno de 1% da população. Isso não pode acontecer. Os países desenvolvidos têm que produzir vacina e vacinar os países mais pobres. Está crescendo na África, está crescendo em vários lugares da Ásia. Isso é que não podemos permitir. Temos de avançar na vacinação no mundo", afirma.
De acordo com o boletim Observatório Covid-19 da Fiocruz para o período de 4 a 17 de julho, o avanço da vacinação no Brasil tem ocorrido de forma mais lenta do que desejável, mas, ainda assim, a melhoria do quadro pandêmico no país é uma consequência direta do aumento no número de imunizados.
O documento alerta que, embora os dados tragam algum alento, o país permanece ainda em um patamar muito crítico, com uma média diária de 39.064 casos e 1.196 óbitos. E lembra que continuam pertinentes as preocupações quanto à possibilidade de piora no quadro pandêmico, especialmente frente à propagação da variante Delta.
FONTE: G1.