
O
presidente Jair Bolsonaro sancionou nesta quinta-feira (2) a alteração
da Lei de Propriedade Industrial, que estabelece a quebra temporária de
patentes de vacinas e insumos em períodos de emergência nacional ou
internacional ou de reconhecimento de estado de calamidade pública na
saúde, como é o caso da atual pandemia de Covid-19. O projeto de lei que
dispõe sobre a mudança foi aprovado pelo Congresso Nacional no último
dia 11 de agosto e aguardava a sanção presidencial.
De acordo
com o texto do projeto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), o
detentor da patente ou do pedido dela, caso ainda não obtida, receberá o
valor de 1,5% do preço líquido de venda do produto derivado em
royalties até que seu valor seja definido.
Em caso de pedidos de
patente, os valores somente serão devidos caso ela seja concedida. O
pagamento corresponderá a todo o período da licença compulsória
concedida a outros fabricantes não autorizados antes da quebra da
patente.
O licenciamento compulsório, termo técnico para a
quebra de patente, será feito caso a caso, conforme a lei. Além disso, a
quebra só poderá ser determinada pelo poder público na hipótese
excepcional de o titular da patente se recusar ou não conseguir atender à
necessidade local.
"Assim, cabe ressaltar que esse
licenciamento compulsório não será aplicado, no momento atual, para o
enfrentamento da pandemia do coronavírus, uma vez que as vacinas estão
sendo devidamente fornecidas pelos parceiros internacionais. Contudo, no
futuro, caso exista um desabastecimento do mercado local, há a previsão
legal para a possibilidade de aplicação da medida, em um caso extremo",
destacou a Secretaria-Geral da Presidência, em nota.
Vetos
O
presidente decidiu vetar os dispositivos que obrigavam ao proprietário
da patente efetuar a transferência de conhecimento e a fornecer os
insumos de medicamentos e vacinas.
"Embora meritórias, essas
medidas seriam de difícil implementação e poderiam criar insegurança
jurídica no âmbito do comércio internacional, além de poder desestimular
investimentos em tecnologia e a formação de parcerias comerciais
estratégicas, havendo meios menos gravosos para se assegurar o
enfrentamento desse tipo de crise", justificou a Presidência.
FONTE: DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR