
A
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa, nesta
quinta-feira, a autorização emergencial da vacina CoronaVac para
crianças e adolescentes a partir de 3 anos. Em seu voto, a relatora do
tema na agência, Meiruze Freitas, votou pela aprovação do pedido, mas
restringindo ao público de 6 a 17 anos. Além dela, ainda votam outros
quatro diretores.
O voto de Meiruze Freitas segue a área técnica
da Anvisa, que argumentou que os dados disponíveis ainda não permitem
identificar benefício e segurança já a partir de 3 anos.
Freitas
acatou ainda a recomendação de que a vacina não deve ser aplicada em
crianças imunocomprometidas, também por não haver informações sobre
ganho significativo para esses grupos.
Além dos dados fornecidos
pelo Butantan, um parecer conjunto de três sociedades médicas
(Imunizações, Pediatria e Infectologia), levado em consideração pela
área técnica da Anvisa, apoiou a aprovação para crianças acima de 6
anos.
Em seu voto, Meiruze afirmou que dados colhidos em estudos
feitos no Chile com cerca de 1,9 milhão de crianças acima de 6 anos
mostram a efetividade da vacina.
"Os resultados sugerem que a
vacina CoronaVac foi signifiticativamente efetiva contra hospitalizações
e internações em UTIs e óbitos na população pediátrica. Tais resultados
são importantes na luta para salvar vidas e reduzir efetivamente o
impacto no sistema de saúde", afirmou.
Para Meiruze, é importante
reforçar a vacinação infantil em um momento no qual há aumento
exponencial de casos devido à variante ômicron. A diretora citou que
países em todo o mundo tem expandido a vacinação pediátrica.
"Nenhuma criança deve morrer de doenças evitáveis", defendeu a diretora.
A
relatora disse ainda que a aprovação da CoronaVac para esse grupo é
importante para viabilizar a vacinação de mais crianças já no primeiro
trimeste, levando em conta a disponibilidade de doses. Até o momento, a
vacina da Pfizer é o único imunizante aprovado para crianças e
adolescentes, na faixa etária a partir de 5 anos. O Ministério da Saúde
deve receber 4,3 milhões de doses em janeiro, totalizando 20 milhões até
março. As doses pediátricas da Pfizer são diferentes daquelas aplicadas
em adultos.
No caso da CoronaVac a vacina para crianças é a
mesma utilizada para adultos. A área técnia da Anvisa indica que o
produto deve ser aplicado também em duas doses em um intervalo de 2 a 4
semanas. A Anvisa levou em consideração estudos conduzidos no Chile,
onde já há aplicação da CoronaVac em crianças, e pesquisas feitas sob
coordenação da China em cinco países (Chile, Malásia, Filipinas, Turquia
e África do Sul).
Em agosto a Anvisa havia rejeitado por
unanimidade pedido do Instituto Butantan para autorizar o imunizante
para esta faixa etária, por considerar que faltavam dados sobre o
desempenho da vacina neste grupo.
De acordo com o Gerente-geral
de Medicamentos, Gustavo Mendes, a aprovação da vacina para essa faixa
etária ganha ainda mais importância em um contexto no qual não há
medicamentos contra Covid-19 voltados para crianças.
"A análise
sugere que há benefícios e segurança para utilização da vacina na
população pediátrica. Para essa população específica, abaixo de 12 anos,
não há tratamentos medicamentosos aprovados. Os que estão aprovados
hoje não são indicados para crianças abaixo de 12 anos. Além do fato de
que esses produtos têm utilização limitada por conta da não incorporação
no Sistema Único de Saúde (SUS), isso também pesa na (importância da)
vacinação", explicou Mendes.
Nesta semana, o ministro da Saúde,
Marcelo Queiroga, afirmou que compraria a CoronaVac para crianças e
jovens de 3 a 17 anos desde que a vacina fosse aprovada pela Anvisa.
Segundo Butantan, há 12 milhões de imunizantes prontos à disposição do
governo.
FONTE: FOLHAPE.COM.BR