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É FAKE / Reprodução do G1.
Circula nas redes sociais um vídeo em que uma mulher submete um cotonete com limão ao teste de Covid-19 e mostra que o dispositivo indica positivo. Segundo o vídeo, o resultado sugere que os testes não funcionam. É #FAKE.
Uma legenda diz: "Atenção. Limão testa positivo para
Covid! Essa turma 'vacinalovers' querem mesmo é faturar com tanta vacina. Teste
para identificar possível contaminado pelo Covid na verdade pode dar positivo
até mesmo com um limão. É muita patifaria…".
O professor Leandro Araújo Lobo, PhD do Instituto de Microbiologia Professor Paulo de Góes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que o vídeo em si é verdadeiro, mas isso não significa que os testes não funcionam.
Lobo disse ao Fato ou Fake por e-mail que "é
realmente possível induzir artificialmente um resultado falso positivo nos
testes rápidos para Covid (ou qualquer outro teste para detecção de
microrganismos que usam essa tecnologia de 'fluxo lateral' baseada em
reconhecimento de antígenos e anticorpos)".
"Como eu expliquei no Twitter, o teste se baseia no reconhecimento entre anticorpos do teste e antígenos virais que estão presentes nas nossas narinas ou saliva. Esses anticorpos são proteínas, e qualquer proteína pode ser desnaturada sob certas condições. Proteínas desnaturadas são proteínas que perderam sua estabilidade e forma tridimensional, e tem a propensão de se agregar. A acidez do limão desnatura as proteínas e induz essa agregação, causando um falso positivo no teste", diz.
Outras substâncias também podem dar falso positivo, de
acordo com Lobo. "Diversas frutas ácidas, como o kiwis e laranjas tem o
mesmo efeito. Refrigerantes também", afirma.
Letícia Sarturi, mestre em imunologia pela Universidade de São Paulo (USP), doutora em biociências e fisiopatologia pela Universidade Estadual de Maringá e professora titular na Universidade Paulista, afirma que o resultado mostrado no vídeo não revela ineficácia dos testes contra Covid-19.
Ela observa ainda no vídeo uma série de detalhes que podem interferir nos resultados.
"De qualquer forma, é importante deixar claro que
não se pode fazer um teste desse jeito. Tem que seguir a metodologia à risca,
tomar cuidado com o swab e com o diluente. O teste vem com a metodologia
descrita, tem uma quantidade certa para colocar na placa. E tem um tempo para a
leitura. Nada disso é seguido no vídeo", complementa.
Apesar da metodologia ser importante, diz Letícia Sarturi, pode ser que o teste dê certo ao ser feito de forma inadequada, mas as chances de dar errado são maiores.
"Qualquer teste pode ter uma limitação
se você altera fatores dentro da metodologia. Nesse caso o fator alterado foi o
pH. Mas toda a metodologia foi executada ignorando preceitos básicos de
testagem: swab em cima de uma mesa fora da embalagem, diluição inadequada,
porque geralmente tem que esperar um minuto, quantidade de amostra
exageradamente despejada sobre a placa e tempo de leitura de teste muito
inferior ao recomendado", diz.
O Fato ou Fake já desmentiu um vídeo que sugere
ineficácia do teste que dá positivo ao ser submetido a água da torneira. Na
ocasião, especialista e fabricante do teste explicaram que funcionamento do
dispositivo depende do uso adequado, de acordo com as especificações
recomendadas.
A alegação falsa de que o teste positivo com água, limão ou suco de laranja revela ineficácia circula em vários países e idiomas e foi checada por AFP , Efe, Verifica A3N e Observador. No Brasil, Boatos e Aos Fatos também checaram a mensagem.
FONTE: G1.