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O prazo para entregar a
declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) começa no dia 2 de março
e vai até 30 de abril. Diante da proximidade das datas, é hora de preparar a
documentação, checar dados e revisar despesas. Para especialistas, a
antecedência é crucial para evitar erros e a temida malha fina. Em 2022, testes
de covid-19 feitos em laboratórios serão passíveis de dedução, desde que se
comprove o pagamento.
Em 2021, uma proposta do
governo definiu uma série de mudanças no IR, como parte da segunda fase da
reforma tributária. Com as alterações, a expectativa é um aumento de R$ 18,53
bilhões na arrecadação em 2022. Para os dois anos subsequentes, a previsão é de
R$ 54,9 bi e R$ 58,15 bi, respectivamente.
As regras finais que obrigam o
envio do IR também serão "oportunamente divulgadas", segundo a
Receita. No entanto, como não houve atualizações do Imposto de Renda nos
últimos anos, provavelmente o limite que obriga o contribuinte a declarar será
o mesmo de anos anteriores.
Novidade
A Receita Federal anunciou a
novidade, de que os testes para diagnósticos de covid-19 em 2021 poderão ser
utilizados como deduções e abatimentos na declaração de Imposto de Renda em
2022. O economista Ciro de Avelar explicou que a medida justifica-se pela
intensa busca por exames, principalmente após as festas de final de ano.
"Alguns testes, dependendo da velocidade e do prazo de resposta do
diagnóstico, podem custar até R$ 700", informou.
Não são todos os testes que
poderão ser deduzidos e abatidos na declaração do Imposto de Renda. "Os
testes realizados em farmácias não poderão ser declarados, mesmo se houver uma
nota fiscal", afirmou.
Organize-se
O conselheiro do Conselho
Federal de Contabilidade (CFC) e contador Adriano Marrocos direcionou os
contribuintes: "Primeiro, organize todos seus documentos, comprovantes e
informes. Em segundo, localize o arquivo eletrônico de sua declaração do ano
anterior", aconselhou. Marrocos ressaltou que também é importante
cadastrar sua senha no serviço "Meu IRPF" da Receita Federal.
O hábito de deixar as coisas
para última hora pode ser prejudicial. "Pela nossa experiência, nos
últimos três, quatro dias, para o fim da entrega da declaração, fica mais difícil
fazer a transmissão do documento, o que gera estresse, já que as multas podem
chegar a valores elevados", contou Marrocos.
Diretor do departamento de
assessoria fiscal a pessoas físicas da BDO, Cleiton dos Santos Felipe
aconselhou que se faça um checklist. "O que julgo como mais importante
nesse primeiro momento é a pessoa tentar recapitular as ações fiscais,
tributárias que ocorreram no ano de 2021. Reunir todos os documentos que já
possui." Ele destaca que é fundamental ficar de olho nos comprovantes
anuais de rendimentos, entregues pelas fontes pagadoras e bancos até o fim de
fevereiro.
Malha fina
A malha fina é um processo de
revisão dos dados que são informados na declaração, ou seja, é um procedimento
normal de quem fiscaliza, explica o conselheiro do Conselho Federal de
Contabilidade (CFC) e contador Adriano Marrocos. "Para reduzir os riscos,
devemos apresentar informações que sejam confirmadas pela outra parte, que
também declarou."
Segundo Cleiton Felipe, a
pressa na hora de preencher o documento pode ser fator para uma notificação.
"Primeiro que, por vezes, o sistema da Receita Federal fica travado pelo
volume de contribuintes tentando entregar as declarações. Então, além de a
pessoa não ter muito tempo para reunir documentação, checar, revisar, tem ainda
esse outro problema operacional", comenta.
O especialista diz que, no
caso de realmente não haver tempo hábil para preencher a declaração, uma opção
é enviar logo e retificar depois. A estratégia, porém, só funciona se a
correção for feita rápido.
"Um dos principais erros
que faz com que as pessoas caiam na malha fina é a omissão de rendimentos ou
incluir um dependente que tenha renda, mas não informar o valor", aponta a
sócia-diretora da Seteco Consultoria Contábil, Adriana R. Alcazar.
"Despesas médicas também merecem atenção. Como o valor para dedução de
gastos com saúde não tem limite, os contribuintes acabam aumentando as despesas
realizadas e deduzem gastos com pessoas que não são suas dependentes na
Declaração do IR. Então, não tem jeito: é dor de cabeça na certa!",
alertou.
De acordo com a perita Sandra
Batista, um ponto importante é ficar de olho no portal da Receita para não
demorar a saber se foi notificado: "Crie uma rotina de verificar no portal
o processamento da declaração uma vez por mês. Se cair na malha, aí é
identificar o motivo e, se de fato tiver algum erro no dado (digitação,
omissão, divergência) corrigir rapidamente. Agora, se o erro for de alguma
informação prestada por um terceiro, por exemplo de uma fonte empregadora, o
contribuinte deve procurá-lo para que a informação seja corrigida".
Auxílio profissional
Batista avalia que é preciso considerar dois aspectos na hora de decidir se vai fazer a declaração sozinho ou contratar alguém para preenchê-la: "Um é se tenho conhecimento suficiente da legislação tributária e habilidade para instalar o programa e usá-lo adequadamente. Dois, se gosto de fato de fazer isso. Se as duas respostas forem não, a melhor alternativa é contratar. Se somente uma delas é sim, a melhor alternativa é contratar. Se ambas são sim, surge a terceira: quero fazer?", detalhou. "Logo, a condição de cada contribuinte e a necessidade de segurança e de tranquilidade com o prestar contas ao fisco é que influenciará na decisão de cada um".
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.