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As perspectivas de cura e qualidade de vida dos pacientes com câncer
cresceram exponencialmente nos últimos anos. O desenvolvimento de tecnologias e
protocolos de diagnóstico que auxiliam na detecção precoce dos mais variados
tipos de câncer, a descoberta de tratamentos mais eficazes e menos agressivos
aliados a uma atenção especial à reinserção do paciente à vida produtiva, sexual
e afetiva têm ampliado a sobrevida, sem perda significativa de qualidade de
vida dos pacientes com câncer.
Os avanços começam na detecção do tumor. Novos protocolos mostram que a
inclusão de exames simples, como a colonoscopia, quando adotados para pacientes
de grupos que são mais propensos à doença, são decisivos para a descoberta
precoce e, consequentemente, um tratamento mais assertivo. Essa descoberta fez
com que a colonoscopia fosse recomendada para pacientes com mais de 50 anos,
por exemplo. Outros fatores simples de prevenção estão na imunização contra HPV
e hepatite B, por meio de vacinas disponíveis na rede pública de saúde, contra
doenças praticamente erradicadas e que têm alto impacto na prevenção ao câncer.
Descobertas no campo da genética também têm contribuído para tratamentos
mais eficazes e, até mesmo, para evitar que pacientes cheguem a desenvolver a
doença. Ficou conhecido o caso da atriz norte-americana Angelina Jolie, que,
após um exame detectar uma predisposição genética, somado ao seu histórico
familiar, optou por retirar as mamas, antes que o câncer surgisse. O
procedimento é envolto em polêmicas e, definitivamente, não deve ser a regra
geral, mas mostra como já é possível avançar na identificação e prevenção.
Os tratamentos caminham para uma personalização que reduz os impactos
negativos amplamente conhecidos. Exames genéticos, uso de células do próprio
paciente para incentivar a imunização — como as Car-T Cells e as terapias-alvo
— estão entre alguns dos avanços tecnológicos que trazem maior assertividade ao
tratamento.
Esses avanços também são importantes para redução do custo. As
terapias-alvo, por exemplo, atacam especificamente células cancerígenas,
evitando danos a células saudáveis, mas os valores operacionais iniciais tornavam
praticamente impossível sua adoção em larga escala. O mesmo ocorre com as
terapias que utilizam Car-T Cells. Pesquisas nacionais, ligadas ao Instituto
Nacional do Câncer, têm contribuído para tornar o tratamento mais barato e,
portanto, mais acessível, embora nem todas essas terapias estejam, ainda,
disponíveis no Sistema Único de Saúde.
Embora pesquisas e novas tecnologias contribuam para detecção da doença
e melhor qualidade de vida do paciente com câncer, o ideal ainda é prevenir.
Condições ambientais e individuais, como estresse, obesidade, má alimentação
(fatores não genéticos relacionados ao estilo de vida), têm sido frequentemente
associadas ao surgimento do câncer. É o caso do câncer de pulmão que tem
crescido entre não-fumantes. Uma das explicações é o aumento da poluição.
Uma vida saudável, equilibrada, com uma rotina que inclua a prática de
atividades físicas, uma alimentação com alta ingestão de frutas, legumes,
verduras, feijões, cereais integrais e que evite alimentos prontos para o consumo
ou prontos para aquecer e carnes processadas, como embutidos, compõem uma forma
de viver que estudos apontam como fatores que evitam o câncer e que estão
disponíveis para grande parte da população. Mudar a forma como lidamos com o
alimento, o trabalho, a rotina, em geral, é fundamental para reduzir as chances
de contrair um câncer.
A boa qualidade de vida é também fundamental para o sucesso do
tratamento do paciente já acometido pela doença. Não é por acaso que meditação,
ioga e acompanhamento psicológico cada vez mais têm feito parte da terapia de
pacientes em que a doença já foi detectada. É o que chamamos de medicina
integrativa. Está cientificamente comprovado que é mais eficaz para o
tratamento médico analisar o paciente de maneira integral do que apenas tratar
o tumor.
Em oito anos, o câncer será a principal causa de mortes no mundo. Entretanto, sabemos que os avanços na área médica nos permitem (e permitirão) tratá-lo de maneira cada vez mais eficaz. O dado de que haverá muitas mortes por câncer não pode ser motivo de pânico. Precisa ser um convite ao autocuidado, à busca pela qualidade de vida e ressignificação de relações pessoais e profissionais que coloquem a saúde em primeiro lugar.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.