
Senado Federal / Reprodução do google.
O Senado Federal deverá votar,
na tarde desta quarta-feira (16/2), dois projetos de lei com o objetivo de
estabilizar os preços dos combustíveis. As modificações feitas pelo relator, o
senador Jean Paul Prates (PT-RN), no entanto, desagradaram a equipe econômica e
deixaram especialistas preocupados com as renúncias fiscais que podem levar ao
descumprimento do teto de gastos.
As propostas em pauta são o
Projeto de Lei Complementar (PLP) 11/2020, que muda a forma de cálculo do
Imposto sobre Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS) para um valor
fixo em reais por litro, em vez do percentual sobre o preço médio, e o PL
1472/2021, que cria uma Conta de Estabilização dos Preços dos combustíveis
(CEP).
O parlamentar apresentou,
ontem, o substitutivo do PLP 11/2020, incluindo a gasolina junto ao diesel e ao
biodiesel na proposta, mas retirou a obrigatoriedade de os estados adotarem a
mudança no ICMS. Para a Conta de estabilização, ele indicou como fonte de
recursos parte dos dividendos da Petrobras pagos à União e receitas
extraordinárias com royalties do petróleo e com outorgas de leilões de petróleo
e gás, além da emissão de créditos extraordinários.
Prates não incluiu a redução
dos tributos federais — PIS-Cofins — sobre os combustíveis, como esperado pela
Economia, e sugeriu que a pasta "encaminhe uma emenda" ao projeto.
Segundo o senador, a calibragem ficará a cargo do Executivo. Ele estimou que,
para reduzir R$ 0,50 no preço da gasolina na refinaria, seria preciso um corte
de R$ 25 bilhões do tributo.
Auxílio-gás
O parlamentar ainda dobrou o
número de beneficiários do auxílio-gás, para 11 milhões, gerando um custo
adicional de R$ 1,9 bilhão nas contas públicas e apontou os bônus de assinatura
dos blocos de Sépia e Atapu, na Bacia de Santos, como fonte de receita.
Na avaliação do Ministério da
Economia, o novo texto do PLP 11 "ficou pior do que o anterior",
aprovado pela Câmara em outubro do ano passado. A equipe econômica apontou como
problemas a ampliação do vale-gás e a falta de inclusão do etanol. A pasta
vinha defendendo esse projeto como alternativa às polêmicas PECs dos
Combustíveis. Analistas avaliam que Prates acabou fazendo uma fusão dos
projetos de lei com propostas que estavam na PEC dos Combustíveis do Senado.
O relator está otimista com a
aprovação das duas propostas na votação de hoje, apesar de o presidente do
Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ter ampliado o prazo para a apresentação das
emendas, que terminaria ontem à noite, até às 14h de hoje. Até o fechamento
desta edição, apenas duas emendas ao PLP 11 haviam sido apresentadas.
Efeito
Gabriel Quintanilha, advogado
e professor da FGV Direito Rio, criticou o fato de o PLP 11 não incluir o
etanol, que é um dos vilões da alta do preço da gasolina. "Não adianta
reduzir o ICMS da gasolina quando o etanol está na mistura em um percentual
elevado", alertou. "O que podemos ver é mais uma medida eleitoreira
que não terá efeito muito efetivo na redução dos preços de combustíveis",
alertou. "É preciso tirar a culpa da tributação. Ela não é a única
culpada", emendou.
O PLP 11 não agradava a estados e municípios porque, conforme estimativas da Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite), as perdas para os entes federativos somariam R$ 32 bilhões por ano. O consultor da Febrafite Murilo Viana reconheceu que esse impacto será menor após Prates tornar a mudança do cálculo do ICMS facultativa. Contudo, disse que as contas não devem fechar para os benefícios, pois o senador sugeriu até a emissão de crédito suplementar. "A impressão é de um vale-tudo em ano eleitoral, que deverá piorar o resultado primário e aumentar o endividamento sem propostas de corte de gastos, como emendas parlamentares", alertou.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.