
Jonatas Oliveira / Reprodução do google.
Dois homens e um adolescente
suspeitos de envolvimento na morte do menino Jonatas Oliveira, de 9 anos, foram
detidos nesta quarta-feira (16). A criança foi assassinada a tiros no
Engenho Roncadorzinho, município de Barreiros, na Zona da Mata Sul de
Pernambuco, na última quinta-feira (10), quando sete homens encapuzados e
armados invadiram a casa do presidente Associação dos Agricultores Familiares
do local e atiraram no trabalhador rural, pai de Jonatas, que sobreviveu.
Em seguida, os homens teriam atirado no filho do agricultor, que se escondia
debaixo da cama com a mãe. A criança não resistiu aos disparos e morreu.
Segundo informações da Polícia Civil de Pernambuco, repassadas nesta
quinta-feira (17), um dos suspeitos de envolvimento no crime já está no sistema
carcerário após ser preso pela PCPE em 2018.
Agricultores da região, comunicaram que a casa do presidente da Associação,
Geovane da Silva Santos, já foi alvo de outros atentados. A Comissão Pastoral
da Terra (CPT) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e
Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (FETAPE) denunciam que nos
últimos anos, a comunidade vem sofrendo ameaças.
“Violências promovidas por
empresas que exploram economicamente a área, com intimidações, destruição de
lavouras e com contaminação das fontes de água e cacimbas do imóvel por meio da
aplicação direcionada e criminosa de agrotóxico de alta toxidade. Os casos de
violência contra a comunidade vêm sendo denunciados pela FETAPE e pela CPT há
vários meses, sem que medidas efetivas sejam tomadas por parte do Estado para
solucionar a tensão e a violência no local”.
Investigações
A Comissão Pastoral e a
Federação dos Trabalhadores Rurais estão acompanhando o caso e prestando
solidariedade à família e à comunidade. “As organizações sociais cobram com
veemência que investigações sejam imediatamente realizadas para apurar a sua
eventual relação com o conflito agrário instaurado no local, sendo certo que,
independente da motivação, é inadmissível e repugnante a invasão da casa de uma
família e o execução cruel de uma criança”, disseram as organizações em nota.
A Polícia Civil de Pernambuco,
por meio da Delegacia Seccional de Palmares, registrou o caso como uma
tentativa de homicídio e um homicídio de uma criança. “De acordo com
informações iniciais, homens encapuzados entraram na residência e dispararam
contra as vítimas. O pai e o filho foram socorridos no Hospital de Barreiros,
mas a criança não resistiu aos ferimentos. Caso segue em investigação até a
completa elucidação do ocorrido”, diz a nota da polícia.
A ocupação do Engenho
No Engenho Roncadorzinho, a
ocupação das famílias na condição de agricultoras familiares se deu após falência
das usinas onde trabalhavam ou eram credoras, mas nunca receberam as devidas
indenizações, segundo os agricultores. A comunidade existe há 40 anos e abriga
cerca de 400 trabalhadores rurais posseiros, sendo 150 crianças.
O Engenho foi propriedade da Usina Central Barreiros, atualmente uma "massa falida" sob administração do Poder Judiciário, que o arrendou. A "massa falida" é o acervo de bens e direitos do falido, compreendendo, assim, o ativo (bens e créditos) e o passivo (débito) do falido, dessa forma ele pode ser administrado e representado pelo administrador judicial.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.