Publicada em 18/02/2022 às 10h34.
Suspeitos de envolvimento na morte de menino de 9 anos, em Barreiros, são presos
O crime ocorreu na última quinta-feira (10), no Engenho Roncadorzinho.


Jonatas Oliveira / Reprodução do google.


Dois homens e um adolescente suspeitos de envolvimento na morte do menino Jonatas Oliveira, de 9 anos, foram detidos nesta quarta-feira (16). A criança foi assassinada a tiros no Engenho Roncadorzinho, município de Barreiros, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, na última quinta-feira (10), quando sete homens encapuzados e armados invadiram a casa do presidente Associação dos Agricultores Familiares do local e atiraram no trabalhador rural, pai de Jonatas, que sobreviveu.

Em seguida, os homens teriam atirado no filho do agricultor, que se escondia debaixo da cama com a mãe. A criança não resistiu aos disparos e morreu. Segundo informações da Polícia Civil de Pernambuco, repassadas nesta quinta-feira (17), um dos suspeitos de envolvimento no crime já está no sistema carcerário após ser preso pela PCPE em 2018. 

Agricultores da região, comunicaram que a casa do presidente da Associação, Geovane da Silva Santos, já foi alvo de outros atentados. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (FETAPE) denunciam que nos últimos anos, a comunidade vem sofrendo ameaças.

 

“Violências promovidas por empresas que exploram economicamente a área, com intimidações, destruição de lavouras e com contaminação das fontes de água e cacimbas do imóvel por meio da aplicação direcionada e criminosa de agrotóxico de alta toxidade. Os casos de violência contra a comunidade vêm sendo denunciados pela FETAPE e pela CPT há vários meses, sem que medidas efetivas sejam tomadas por parte do Estado para solucionar a tensão e a violência no local”. 

Investigações


A Comissão Pastoral e a Federação dos Trabalhadores Rurais estão acompanhando o caso e prestando solidariedade à família e à comunidade. “As organizações sociais cobram com veemência que investigações sejam imediatamente realizadas para apurar a sua eventual relação com o conflito agrário instaurado no local, sendo certo que, independente da motivação, é inadmissível e repugnante a invasão da casa de uma família e o execução cruel de uma criança”, disseram as organizações em nota.

 

A Polícia Civil de Pernambuco, por meio da Delegacia Seccional de Palmares, registrou o caso como uma tentativa de homicídio e um homicídio de uma criança. “De acordo com informações iniciais, homens encapuzados entraram na residência e dispararam contra as vítimas. O pai e o filho foram socorridos no Hospital de Barreiros, mas a criança não resistiu aos ferimentos. Caso segue em investigação até a completa elucidação do ocorrido”, diz a nota da polícia.

 

A ocupação do Engenho


No Engenho Roncadorzinho, a ocupação das famílias na condição de agricultoras familiares se deu após falência das usinas onde trabalhavam ou eram credoras, mas nunca receberam as devidas indenizações, segundo os agricultores. A comunidade existe há 40 anos e abriga cerca de 400 trabalhadores rurais posseiros, sendo 150 crianças.

 

O Engenho foi propriedade da Usina Central Barreiros, atualmente uma "massa falida" sob administração do Poder Judiciário, que o arrendou. A "massa falida" é o acervo de bens e direitos do falido, compreendendo, assim, o ativo (bens e créditos) e o passivo (débito) do falido, dessa forma ele pode ser administrado e representado pelo administrador judicial.


FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.



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